Um artigo da prestigiosa Cleveland Clinic defende que ajudar os outros, além de beneficiá-los, estimula positivamente nossos corações e mentes.
Então aquele calorzinho que sentimos no peito ao doarmos algo ao nosso próximo é benéfico pra nós mesmos! Sim, tem ciência nisso! Quando doamos algo, seja um presente, nosso tempo e atenção, ou qualquer outra forma de ajuda, nosso organismo secreta os “hormônios do bem”.
Serotonina, que dá um “up” no humor.
Dopamina, que dá uma sensação de prazer.
Ocitocina, que cria um senso de conexão com os outros.
Na fisiologia, isso significa:
Redução da pressão alta.
Aumento geral da sobrevida
Redução dos níveis de cortisol, o hormônio do stress.
Aumento da auto-estima e redução da depressão, através do estímulo do circuito mesolímbico, que é a via de recompensa do cérebro, e da liberação de endorfinas
E doação não significa necessariamente bens ou dinheiro. . Aliás, nesses casos nem sempre sentimos ou vemos o resultado imediato da nossa doação. Alguns dos melhores presentes podem ter custo zero. Ao dedicarmos algum tempo ou habilidade para alguém, de forma espontânea e prazerosa, sentimos logo os benefícios dessa ação. Aquela história de “ajudar a velhinha a atravessar a rua” é um exemplo simples e objetivo .
Os dois lados percebem de imediato o benefício da gentileza, e se sentem mais engajados e felizes.
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Todos temos alguma habilidade que outros não tem. Se ensinamos ou repassamos essa habilidade, ou a usamos pra beneficiar alguém, será um benefício ao mesmo tempo prazeroso e barato. E de um significado e lembrança maiores do que qualquer coisa que se acha numa prateleira de loja. Servir pode ser melhor do que simplesmente doar.
Um estudo feito com adolescentes mostrou claramente a ligação entre serviço ao próximo e menos depressão. As atitudes chamadas “pró-sociais” estimulam melhores relacionamentos com amigos e familiares, e desperta valores como esperança, persistência, gratidão e auto-estima. E tudo isso contribui para diminuir os níveis de depressão. Para os jovens isso é especialmente importante, pois protege contra sentimentos de inutilidade, gera um senso de propósito e estabelece um auto-conceito que os faz se sentirem valiosos e necessários para outras pessoas. E reduz o risco de envolvimento com jovens de comportamento problemático .
Já se sabe que exercícios regulares ajudam a prevenir a incidência de câncer (primeiro episódio) e também, uma vez tratado, a reduzir o risco de recorrência. Ainda não sabe com certeza o mecanismo envolvido neste benefício, apenas se sabe que funciona.
Um estudo recente demonstrou outra vantagem das atividades físicas, agora sobre as pessoas já portadoras de câncer. Feitas de forma regular elas ajudam a reduzir o risco de formação de metástases, e também, se já estiverem presentes , a sua progressão.
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Visitas freqüentes a espaços verdes.
Um estudo feito na Finlândia mostrou que moradores de cidades que saem de casa e freqüentam espaços verdes, como parques, praças e afins, necessitam doses menores de medicamentos como ansiolíticos e antidepressivos, e também remédios para pressão alta e asma. Ressalte-se que não se avaliou se as pessoas faziam exercícios ou não, apenas se freqüentavam estes espaços.
Curioso é que se comparou com aqueles que moravam nos limites dos parques e que apenas observavam as áreas verdes da janela de casa; estes não tiveram qualquer benefício.
Existe uma crescente evidência científica sobre os benefícios à saúde dos cidadãos urbanos de se exporem à natureza. Esses benefícios são mais evidentes quanto à saúde mental, cardiovascular e respiratória.
Outro estudo desta vez americano, feito por cientistas de Harvard, em idosos urbanos (acima de 65 anos) portadores de doenças de Parkinson e Alzheimer mostrou naqueles com exposição frequente a áreas verdes, uma redução da necessidade de internação devida a complicações dessas patologias.
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Seis hábitos saudáveis que podem diminuir o declínio senil da memória
Nossa memória diminui continuamente à medida que envelhecemos; isso não significa necessariamente um estado “pré demência ou pré Alzheimer”. E esse declínio pode ser minimizado por 6 hábitos de vida saudável, de acordo com um estudo que envolveu quase 30 000 pessoas na China, acompanhadas por 10 anos. A média de idade dos participantes era ao inicio de 72 anos; portanto ao término era de 82.
Observou-se que aqueles que tinham certos hábitos saudáveis apresentaram menor declínio de memória.
Foram identificados 6 hábitos que serão listados pela ordem de maior para menor efeito protetor na memória.
Dieta saudável: foi a campeã do estudo. É nossa velha conhecida: pouca gordura e sal, pouca comida industrializada, incluir carnes brancas e peixes, azeite de oliva, nozes e cinco frutas ou hortaliças por dia.
Atividade cognitiva ativa: trocando em miúdos, exercícios de memória em geral.
Exercício físico regular: ocupa um honroso terceiro lugar, e os benefícios vão bem além de proteger a memória
Contato social ativo. Exemplos: contatos com familiares, em grupos de terceira idade, em atividades filantrópicas e religiosas.
Não fumar (ou abstenção para os que fumavam)
Abster-se de bebida alcoólica. Esse aí teve um efeito protetor fraco (oito vezes menor que o primeiro lugar) e foi bastante contestado por muitos dos participantes por vários motivos.
Então vamos exercitar nossa memória, não esquecendo de aderir todo dia a um ou mais desses hábitos citados.
Um estudo epidemiológico feito na Universidade de Harvard em conjunto com pesquisadores da Suíça revelou um dado simples mas nem sempre óbvio:
Usar saleiro à mesa pode custar alguns anos de vida.
O excesso de sal tem sido alvo de controvérsias quanto ao seu real prejuízo à saúde. Isso porque estudos conflitantes mostraram dificuldades metodológicas em medir a quantidade total de sal ingerida por dia. Diante disso, esse estudo simplificou o método. Ao invés de tentar medir o sal total , simplesmente perguntaram para 500 000 pessoas quais tinham o costume de adicionar sal à comida já preparada usando saleiro à mesa, e quais não o faziam. Assim manteve-se em todos o sal adicionado na cozinha e mais aquele já presente em alguns alimentos. Só variou aquele adicionado pelo saleiro, com a comida já no prato. Após 9 anos de acompanhamento, os resultados foram surpreendentes:
1. A turma do saleiro teve 28% mais risco de morte prematura (definida como ocorrendo antes dos 75 anos de idade.
2. Também tiveram uma expectativa de vida (na faixa de 50 anos de idade) reduzida em 1,5 anos para as mulheres e 2,28 anos para os homens
3. O aumento se deu principalmente por eventos cardiovasculares, especialmente AVC
4. Estes efeitos negativos foram atenuados naqueles que ingeriam grande quantidade (pelo menos 5 porções por dia) de frutas e hortaliças, provavelmente pelo potássio contido nesses vegetais, e que se contrapõe ao sal.
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Ficou também demonstrado fazendo essa mesma pergunta a uma grande população geral (usa saleiro à mesa?) que os “salgadores” tem mais risco a longo prazo de desenvolver insuficiência renal crônica.
Um outro estudo feito em 32 países e com várias populações mundo afora mostrou uma relação direta entre o consumo de sal e o desenvolvimento de pressão alta. E uma relação inversa com a ingestão de potássio. (Mais potássio na comida, menos pressão alta)
Os campeões? Os nossos índios ianomâmi que não comem sal, não tem pressão alta e tem o costume de temperar a comida com cinzas, que tem bastante potássio. Aliás, até os seus mortos são cremados e as cinzas deles ingeridas, para que assimilem as virtudes do falecido. Já o título de mais comilões de sal ficou com os chineses de Tianjin, que aliás é uma região produtora de sal desde a China Imperial. Como era de se esperar havia uma elevada prevalência de pressão alta. O governo dessa região inclusive promove iniciativas públicas e campanhas para redução de sal ingerido.
Em resumo uma maneira saudável de aumentar o potássio é comer frutas e hortaliças , cinco porções por dia. E nas raras situações em que se teima em usar (eventualmente !) o saleiro, enchê-lo com sal dietético (vendido nas farmácias) , que é meio a meio (metade cloreto de sódio, que é o sal de cozinha, e metade cloreto de potássio). Mas no dia a dia NÃO usar o saleiro!
Desde 2010 a Associação Americana de Cardiologia tem um programa de preservação de saúde cardiovascular de 7 pontos (Life’s Simple Seven) que incluía cuidados com:
Dieta saudável
Atividade física regular
Exposição à nicotina (incluindo fumantes ativos e passivos e cigarros eletrônicos)
Sobrepeso e obesidade
Gorduras do sangue (colesterol e triglicérides)
Glicose no sangue (pré-diabete e diabete)
Pressão alta
Estes tópicos foram mantidos anualmente até que neste ano de 2022, aquela instituição decidiu incluir um oitavo item considerado em igualdade de importância com os anteriores: uma boa noite de sono.
E sugere dormir de 7 a 9 horas por dia para a maioria das pessoas adultas, sendo que crianças e adolescentes precisam de mais:
de 2 a 5 anos de idade : precisam de 10 a 16 horas de sono em cada 24 horas;
de 6 a 12 anos: de 9 a 12 horas de sono;
e de 13 a 18 anos: de 8 a 10 horas por dia.
O nome do programa foi então mudado para Life’s Essential 8.
Fonte: The American Heart Association’s Life’s Essential 8™ Life’s essential 8: updating and enhancing the American Heart Association’s construct of cardiovascular health: a presidential advisory from the American Heart Association. Circulation. 2022
A duração do sono passa então a ser considerada como um componente essencial para uma boa saúde do coração e cérebro. Como se vê na imagem, em igualdade de importância com os outros fatores de risco anteriormente defendidos para uma boa saúde . E qual o motivo dessa mudança? Porque está cada vez mais claro que o sono inadequado afeta a saúde, incluindo aí a saúde cardio-metabólica. E que há uma forte conexão mente-coração, ou cérebro-coração.
Concluiu-se que o parâmetro sono se adiciona aos sete anteriores já classicamente testados e mensurados, citados acima no programa original de 7 pontos.
Os benefícios de um sono adequado incluem:
Reparação de células, tecidos e vasos sanguíneos
Fortalecimento do sistema imunológico
Maior criatividade e produtividade
Melhor humor e energia
Melhor saúde cerebral, incluindo estado de alerta, tomada de decisão, foco, aprendizado, memória, e capacidade de argumentação e solução de problemas
Crescimento e desenvolvimento saudável para crianças e adolescentes
Melhor habilidade muscular
Reflexos mais rápidos
Menor risco de doenças crônicas
Sono inadequado pode aumentar o risco de:
1. Doença de Alzheimer
2. Doença cardiovascular
3. Declínio cognitivo e demência
4. Depressão
5. Diabete
6. Pressão alta
7. Colesterol alto
8. Infecções
9. Obesidade
Sono inadequado pode provocar :
1. Acidentes
2. Problemas respiratórios
3. Desbalanço hormonal
4. Problemas de memória e cognição
5. Aumento do apetite e alimentação não saudável
6. Inflamação
7. Stress
8. Ganho de peso
A conclusão ? : algumas pessoas acham que dormir é perder tempo. Pois agora ficou claro que dormir é ganhar saúde! Um bom sono pra todos!
A atividade sexual é um esforço considerado moderado. Além do esforço físico, o estímulo proveniente da excitação sexual aumenta a frequência cardíaca. Estudos mostraram que o exercício nesses casos é o mesmo do que subir dois lances de escada. A aptidão para caminhar 2 a 2,5 km em meia hora é perfeitamente compatível com a atividade sexual habitual. Os batimentos cardíacos elevam-se para 115 a 120 por minuto. Perfeitamente realizável, portanto, pela maioria dos cardíacos, desde que não estejam em fase de instabilidade ou não tenham tido um ataque cardíaco recente, quando então deverão passar necessariamente por uma reavaliação médica. Já os toques, abraços e carícias são maneiras de expressar amor e intimidade que aumentam muito pouco o trabalho do coração.
É importante procurar posições mais confortáveis como ficar de lado (apoiando-se em travesseiros) ou com o parceiro que é cardíaco ficando por baixo. Ficar por cima implica em apoiar o peso do corpo nos braços ou ombros e com isso mais esforço físico (esforço isométrico, inadequado para cardíacos).
Pessoas com problemas de coração devem evitar relações sexuais logo após uma refeição substancial (aguardar de 1 a 3 horas, dependendo da refeição), ou logo após tomar mais do que uma ou duas doses de bebida alcoólica.
Devem também evitar manter relações em situações e lugares em que não estejam emocionalmente preparados e tranqüilos, e evitar ambientes excessivamente quentes ou frios. A resposta cardiovascular à atividade sexual depende da soma dos fatores psíquicos e físicos em jogo. A ansiedade decorrente de uma relação extraconjugal pode ser especialmente problemática.
Se estiver cansado por qualquer motivo, repousar primeiro até se sentir bem, “desligando-se” do ritmo e das preocupações do dia, antes de iniciar o ato sexual. Se ocorrer dor no peito, respiração excessivamente ofegante ou palpitações exageradas durante o ato, deve-se parar e repousar e, se for o caso (se continuar não se sentindo bem), não ter vergonha em propor francamente ao parceiro que adie para outra oportunidade. Se necessário (principalmente se os sintomas permanecerem por mais que 10 a 15 minutos), comunicar-se com o médico. Após um evento cardíaco maior (infartos, cirurgia cardíaca, etc.) o médico libera o paciente, na maioria das vezes, para manter relações sexuais entre quatro a seis semanas após o evento.
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Casos com boa evolução podem ser liberados tão logo se sintam aptos e dispostos, usando-se para isto o teste ergométrico, que é um bom método para se prever a tolerância a uma relação sexual em pacientes cardíacos.
A pessoa que está se recuperando de um ataque cardíaco pode se sentir no início insegura, incapaz, deprimida e ansiosa, necessitando de grande entrosamento com o parceiro. Casais que mantinham um relacionamento sexual estável terão maior facilidade na retomada desse tipo de atividade. Já os casais que tinham conflitos e situações de tensão ao manterem relações, terão esse reinício de forma mais complexa.
O ato sexual é uma situação de certo modo ansiogênica (geradora de tensões e expectativas), e conversas preliminares e carícias contribuirão para reduzir a ansiedade.
Se homens cardíacos usarem medicação para disfunção erétil, discutir os detalhes de uso com o médico, em especial sua interação com álcool e outros medicamentos.
Ter em casa e cuidar diariamente de um pet pode diminuir o declínio cognitivo nos idosos acima de 65 anos, num estudo que durou 6 anos. Cognição é a capacidade de aprendizado e memória.
Já se sabia dos benefícios de ter e cuidar de um cão sobre a saúde geral e também da saúde cardiológica como melhora da hipertensão arterial e do colesterol alto, provavelmente decorrentes de maior atividade como levar para caminhar.
Mas dessa vez se demonstrou também um benefício neurológico. Houve uma menor redução da perda cognitiva ao longo dos anos naqueles que cuidavam de um cão ou gato, neste grande estudo patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde americano.
Então, além de uma uma melhora na saúde geral, pela primeira vez se detectou um ritmo menor de redução da perda de memória e capacidade de aprender coisas novas que pode ocorrer com a idade.
O nexo causal não é muito claro, mas alguns fatores são óbvios e os mesmos: maior movimentação física em casa e uma motivação extra em sair para uma caminhada. E no caminho interação com outros pets e socialização com seus donos. Com isso haveria alívio da solidão e depressão, que são fatores de risco para piora cognitiva. Um vínculo de afeto, no caso dos gatos, também melhoraria a solidão e a depressão
Já se observou também uma redução do nível de cortisol (que é o hormônio do stress) e também melhora do humor. Um pet exige um senso de disciplina e se acostuma com os horários, inclusive as horas de sair de casa; e ele mesmo chama e motiva o dono.
Apesar de gerar um trabalho extra, pode trazer alegria extra. Para idosos frágeis e acamados, uma companhia permanente.
Esses achados foram comprovados por um estudo científico rigoroso e bem controlado; no entanto o benefício (ou não) de ter um pet pode variar muito em cada caso, mas fica a sugestão de se tentar, principalmente na situação de idosos solitários.
O azeite de oliva é parte importante da dieta mediterrânea, que é sinônimo de alimentação saudável. Volta e meia aparecem estudos pra determinar se o azeite está com essa bola toda mesmo. E ao que tudo indica ele tem resistido à prova do tempo. Textos e escritos antigos de milhares de anos já mencionam o azeite não só como alimento mas para várias outras utilidades, como iluminação, unção em cerimônias e rituais religiosos e como remédio, pra se passar em feridas. Longevidade é com as oliveiras. No Líbano tem uma que se acredita que tenha seis mil anos, ainda produzindo!
Um grande estudo recente tenta mais uma vez abordar os benefícios do azeite de oliva pra saúde E esse estudo foi grande mesmo: 90 000 participantes nos Estados Unidos (onde o consumo desse azeite é baixo, comparado aos países mediterrâneos) acompanhados durante 28 anos! Eram profissionais de saúde (mais fáceis de serem acompanhados a longo prazo) com idade média de 56 anos. Ora, como entraram com média de 56 e daí em diante foram acompanhados por 28 anos, era de se esperar que muitos iriam morrer naturalmente, devido à faixa etária dos que entraram no estudo e à duração dele. ( 56 + 28 = 84 anos) (mais de 36 000 morreram).
Foram comparados 2 grupos: um que não consumia azeite de oliva, e outro que consumia por dia pelo menos meia colher das de sopa, ou 7 gramas de azeite.
A turma do azeite teve 19% menos risco de mortalidade total, e também os mesmos 19% de redução de mortalidade cardiovascular, mortalidade por câncer e doenças respiratórias crônicas e incríveis 29% menos risco de morrer de doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla).
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Neste estudo o azeite era usado tanto na mesa (saladas, puro com pão) como na cozinha (assar, fritar, sauté). Todos os tipos foram usados, não só o extra virgem. A diferença mais gritante era entre aqueles que consumiam o azeite no lugar de manteiga, margarina e outros produtos lácteos, como requeijão. Não era tão evidente quando era usado no lugar do azeite de oliva outros óleos, como milho soja e canola.
Do ponto de vista de saúde pública, o que chama mais atenção é que apesar de ter sido estudado como um óleo cardiologicamente correto, o efeito maior foi nas doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla). O que abre espaço para novas pesquisas com foco específico nestas patologias, tão importantes quanto as cardíacas, principalmente se considerarmos a atual falta de medidas preventivas nesse grupo de doenças.
Um importante estudo publicado recentemente indicou que a solidão está associada a um maior risco de demência em idosos. Num prazo de 10 anos de observação (média de idade de 73 anos) o risco de desenvolver demência, ou declínio cognitivo (cognição é a capacidade de memória e aprendizado) foi 50% maior naquelas pessoas que relatavam sofrer de solidão. Como é um sentimento muito pessoal, para que o estudo fosse válido coube às próprias pessoas participantes se auto-definirem como solitários, tendo como critério mínimo que essa sensação teria que ser desconfortável e teria que ocorrer pelo menos 3 dias por semana.
Além disso, pode afetar também a saúde geral, como mostrou um outro estudo desta vez envolvendo 60 000 mulheres idosas entre 65 e 99 anos, e que mostrou que aquelas que sofriam com solidão e isolamento social tinham risco 27% maior de desenvolver doença cardiovascular severa.
Um posicionamento recente da Associação Americana de Cardiologia confirma o maior risco de infartos e derrames, e alerta que atividades de grupo, mesmo ginásticas e fisioterapias, podem ajudar os solitários além do exercício em si, por permitir uma maior socialização. Da mesma forma filiação a uma religião organizada e trabalhos voluntários na comunidade. O risco de isolamento social, que é um estressor, aumenta naturalmente com o envelhecimento, devido a fatores como saída de casa dos filhos, morte do cônjuge e aposentadoria.
Por outro lado, é preciso enfatizar que existem aqueles “ lobos solitários” que preferem estar sós. Mas estes obviamente apesar de solitários não se sentem desconfortáveis com a situação, ou seja não sofrem com o sentimento de solidão, já que terá sido uma opção pessoal. Em princípio não se sentiriam infelizes.
Solidão poderia ser definida como um sentimento negativo, psiquicamente desconfortável, que surge da discrepância entre o desejo genuíno que se tem de estender os contatos sociais e a realidade. Pessoas idosas e de saúde frágil, com dificuldade de sair de casa são especialmente vulneráveis, em especial na era do Covid-19. Daí acaba se formando um ciclo vicioso, pois depressão pode gerar mais doença e mais depressão. Ou seja, a solidão pode gerar depressão, e o contrário também se verifica.
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Nem sempre é preciso interagir com outra pessoa todos os dias e em todos os momentos. Às vezes um contato eventual, nem sempre diário, mas uma interação com qualidade e real interesse é suficiente
Aqui temos que citar Antoine de Saint-Exupéry, nas palavras do seu personagem O Pequeno Príncipe: “Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa só. Leva um pouco de nós mesmos, e deixa um pouco de si mesmo.”
Vamos comentar sobre duas manobras simples que podem ser feitas por leigos e que fazem toda uma diferença numa situação inesperada e grave.
Engasgo: Você está no ambiente de um restaurante tranquilo, jantando, e de repente uma pessoa na mesa ao lado se engasga. Ela se levanta, leva as mãos à garganta e aparenta não estar conseguindo respirar. Vai ficando aflita e cianótica (com os lábios roxos). Nestes casos algum alimento mais “massudo” em geral carne ou pão, ao invés de descer pelo caminho natural que é o esôfago e daí pro estômago, desce pelas vias respiratórias, e fica “engastalhado” na laringe, que por sua vez reage e se contrai pra não deixar a coisa passar por aquele caminho errado. Por aqui não! Então fica preso ali!
A reação normal é darmos uns tapas nas costas ( recomenda-se cinco pancadas fortes nas costas), mas que podem não ser suficientes. Então teremos que fazer a seguir a manobra de Heimlich, que simula uma tosse forte.
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Estando de pé, vamos por trás da pessoa “abraçando-a” na altura da “boca do estômago” , com as mãos juntas e fazemos movimentos bruscos e rápidos, contraindo os braços (isso mesmo, um abraço de tamanduá, só que forte e rápido) para tentar expulsar a “rolha” de comida. Deve-se fazer isso cinco vezes e se ainda não resolver voltar com mais cinco tapas fortes nas costas. Alternar essas manobras (cinco tapas com cinco abrações bruscos) até a pessoa desengasgar ou ficar inconsciente. São válidas para adultos e crianças conscientes. Em bebês (menos de 1 ano) posicioná-los inclinados para baixo, e alternar 5 tapas nas costas com 5 compressões no peito com o “calcanhar” da mão .Veja nos links abaixo, na descrição, vídeos bastante ilustrativos: Socorristas profissionais e também leigos executando as manobras de urgência. Num deles uma gravação real feita por uma câmera de segurança com o fato acontecendo “ao vivo e em cores”. Neste último foi um adolescente que salvou um amigo. Portanto, todos devemos saber essa manobra! Obtendo êxito, a própria pessoa cospe a “rolha”, ou então ela ou alguém a tira da boca com a mão mesmo, passando os dedos lá dentro.
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Em crianças pequenas. o engasgo pode ser com alimento , secreções ou até mesmo um objeto. Segura-se a criança com uma das mãos, de “barriga pra baixo” e inclinando o corpinho ligeiramente pra baixo. Em bebês (menos de 1 ano) posicioná-los inclinados para baixo, e alternar 5 tapas nas costas com 5 compressões no peito com o “calcanhar” da mão, conforme o vídeo no link abaixo.
Se por acaso não obtivermos êxito e a pessoa acabar desmaiando, temos que deitá-la com cuidado no chão e se não estiver respirando iniciar RCP (ressuscitação cardiopulmonar) que veremos a seguir .
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Ressuscitação cardio-respiratória (RCP): Aqui um bom exemplo é ambiente de uma quadra esportiva, em que algum “atleta” cai subitamente ao chão, e fica lá caído, imóvel ou exibindo movimentos descoordenados como se fosse uma convulsão. Neste cenário, duas pessoas são suficientes, evitar aglomeração ao redor. Verifique se a vítima está inconsciente. Se estiver respirando, apenas folgue suas roupas próximas ao pescoço e chame por socorro médico. Se não estiver respirando, além de chamar por socorro (alguém liga pro SAMU) inicie imediatamente as manobras de RCP.
No caso da pessoa leiga, sem maiores recursos por perto, o que se tem a fazer é iniciar as compressões torácicas (ou massagem cardíaca) , que simulam os batimentos do coração, sem se preocupar com assistência respiratória associada, basta manter as vias aéreas desimpedidas. Ajoelha-se do lado direito da pessoa caída e com as duas mãos abertas, uma por cima da outra, dedos entrelaçados, colocadas na posição de “centro-esquerda” em cima do esterno e do coração, os braços retos, comprime-se o tórax afundando por 5 centímetros de cada vez, a uma frequência de 100 vezes por minuto. Se cansar alterne com a outra pessoa.
Mas peraí! Numa hora dessas como vou contar 100 vezes por minuto? Uma boa dica é o ritmo da música “Staying alive” dos Bee Gees (O nome tem tudo a ver com o momento) Dá exatamente 100 por minuto. Veja no link abaixo a música, pra relembrar e guardar! Então é mentalizar a música e mãos `a obra, literalmente.
Veja também outro link abaixo sobre RCP, muito bem feito por bombeiros socorristas; fizeram até um sambinha!
Enquanto faz as compressões obviamente todo mundo já avisou que ali tem uma pessoa sendo submetida a RCP e já chamou o SAMU!
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Mas o SAMU pode demorar muitos minutos . Então, o que pode ser feito? Bem, se estiver disponível o DEA (desfibrilador externo automático), esse é o próximo passo após iniciada a RCP. Dependendo da legislação de cada município, este aparelho deve estar disponível em clubes e outros locais semelhantes onde se pratica esportes competitivos, e também em locais com grande fluxo de pessoas. É ele que tem que ser usado logo que possível após iniciada a RCP e até o SAMU chegar. Os locais que tem o DEA costumam ter uma pessoa já previamente treinada para usá-lo. Mas não é difícil, em geral vem com ilustrações e é auto explicativo. Ele reconhece se está havendo uma arritmia cardíaca grave, e caso positivo ele mesmo dá o choque para tentar converter (normalizar) o distúrbio do ritmo. Neste momento desencoste da vítima senão você também vai levar um choque Após o choque pode acontecer de os batimentos cardíacos retornarem. Mas na dúvida o melhor é continuar fazendo a massagem cardíaca até a chegada do SAMU.
Até há alguns anos atrás, pra se saber quantas vezes o nosso coração batia por minuto, só palpando o pulso e contando, ou às vezes medindo no aparelho de pressão eletrônico. Atualmente é cada vez mais fácil saber os batimentos cardíacos, com os oxímetros de dedo e os relógios tipo smartwatches.
Pois bem, com essa informação agora literalmente disponivel na ponta dos dedos, ou na palma da mão, muitos tem ficado preocupados com os números mostrados e o que significam, e às vezes até ligam para o seu médico apavorados.
Por definição, a faixa normal dos batimentos do coração com a pessoa estando em repouso é de um mínimo de 60 e no máximo 99 batimentos por minuto. Se em algum momento estiver em 100 ou mais, chamamos taquicardia. Simples assim. Independente de a pessoa estar ou não sentindo os batimentos.
Quando sentimos o coração batendo chamamos palpitações, independente de ele estar acelerado ou não. Isto porque em geral não sentimos o coração batendo o tempo todo (seria muito incômodo, não?) Apesar de ele bater sim o tempo todo, desde antes de nascermos (na terceira semana de vida intra-útero já está dando seus primeiros batuques) até o último suspiro de vida. Alguns funcionam ininterruptamente por mais de um século! Que máquina maravilhosa é essa!
Ás vezes sentimos o coração batendo na vida normal (palpitações) em situações comuns no dia a dia como exercícios, emoções, paixões, sustos… Nessas situações geralmente ele está também acelerado, que é a taquicardia.
Quando temos a sensação de falhas nos batimentos do coração, chamamos de palpitação arrítmica. Aí sim vale a pena ir ao cardiologista e fazer um eletrocardiograma (ECG). Nesses casos é comum serem encontradas extrassístoles. Cada batimento normal é uma sístole. Batimentos extras são as extrassístoles, que às vezes podem ter como origem algum problema cardíaco (causas cardíacas) . Mas que na maioria dos casos a causa é algum estímulo externo ao coração (causas extracardíacas) como cigarro, café, bebidas alcoólicas, energéticos e mesmo a ansiedade com liberação de adrenalina em excesso. Se a origem for intrínseca ao coração a causa básica tem que ser diagnosticada e tratada. Se for extrínseca, o melhor a fazer é identificar e eliminar o estímulo ou gatilho, raramente havendo necessidade de medicamentos.
“Meu coração ‘tá pisado.
Metade bate no tempo, metade bate atrasado.”
da música Coração de Vidro, de Darci Rossi e Alexandre
Existe um outro tipo de arritmia que é a aceleração súbita dos batimentos para níveis muito altos (ex.: 170 por minuto em repouso). Nesse caso é melhor ir ao hospital imediatamente, pois certamente algo está errado e é arriscado ficar com o coração acelerado assim por muito tempo.
Especialmente importante entre as arritmias é a fibrilação atrial (FA), em que os átrios param de bater (o normal é se contraírem em sincronia com os ventrículos) e ficam apenas “tremelicando”. Ela tem sido cada vez mais frequente com o envelhecimento da população, pois um dos fatores que favorecem o seu surgimento é a idade avançada. Mas pode surgir em qualquer patologia cardíaca, e também por fatores externos ao coração como excessos alcoólicos. O tratamento está hoje bem estabelecido, desde que a FA seja identificada por um traçado eletrocardiográfico. Isso às vezes é um desafio, pois quando ela ocorre de forma intermitente ou apenas raramente nem sempre se consegue registrar. Mesmo o Holter que registra o ECG por 24 horas às vezes não consegue captá-la se ela ocorre uma vez por semana, ou por mês. Aí temos o recurso mais moderno de alguns smartwatches (ex.: iPhone 6 ou superior) que reconhecem a FA e registram o ECG na hora da arritmia. Esse registro poderá então ser enviado no mesmo momento ao seu médico .
Uma vez confirmada FA, parte-se para o tratamento, que pode ser uma cardioversão ao ritmo normal imediata, até 48 horas, ou mais tardiamente (medicamentosa ou elétrica). Poderá ser necessário o uso de antiarrítmicos, às vezes anticoagulantes orais e eventualmente ablação dos focos cardíacos com um cateter de radiofrequência. Independente da terapia proposta, é importante segui-la à risca, pois a FA não tratada apresenta riscos como piora da função cardíaca e AVCs isquêmicos.
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Finalmente um comentário sobre a bradicardia, que por definição são batimentos cardíacos de 59 por minuto pra baixo. Não é necessariamente um problema. Algumas pessoas são bradicárdicas naturalmente, outras devido a alguns remédios como os beta bloqueadores. Também é um achado comum entre atletas, pois com o chamado “efeito treino” o coração fica mais eficiente em cada batida; então precisa bater menos vezes por minuto para fazer circular a mesma quantidade de sangue. Às vezes vemos maratonistas com 40 por minuto!
Mas em outras situações pode realmente ser um problema, mas só o médico pode distinguir isso, após avaliação clínico/cardiológica. Um dos principais indicadores de que a bradicardia é uma situação normal ou não é definida pelo teste ergométrico. Se os batimentos estão baixos, mas se elevam normalmente com o esforço: OK. Se não se elevam ou sobem pouco: problema a ser investigado.
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