A dilatação progressiva das veias das pernas, principalmente nas mulheres, leva às varizes.
A hereditariedade pelo lado materno é o principal fator determinante.
No início há uma sensação de peso nas pernas, dor e inchação. Para evitar que o problema se acentue, estão indicadas as caminhadas (que estimulam a circulação local), e as meias elásticas de compressão gradual, para serem usadas durante o dia (nunca dormir com as meias).
Pessoas com varizes devem evitar ficar muito tempo paradas na mesma posição, quando de pé ou assentadas.
Quando deitadas, devem elevar as pernas, por algumas horas, num nível acima do resto do corpo, o que facilita a circulação de retorno.
Medicamentos podem ajudar um pouco. A esclerose (injeção de substância que “seca” as veias), só serve para as microvarizes superficiais.
Varizes muito acentuadas podem levar à inflamação local (flebite), à formação de coágulos (trombose venosa) ou à liberação destes coágulos para a circulação (embolia), esta última podendo afetar os pulmões e o coração.
Às varizes volumosas, só resta a cirurgia, que consiste em sua retirada, para evitar as complicações citadas.
Varizes acentuadas podem ser uma contraindicação ao uso de pílulas anticoncepcionais e hormônios pós-menopausa.
Medicamentos naturais seriam aqueles preparados à base de plantas e produtos naturais, e incluem chás, infusões e similares. Também chamados fitoterápicos. Mas a distinção e exata definição destes é bem ampla e por vezes bastante imprecisa.
Uma parte importante dos medicamentos homeopáticos, fitoterápicos e também alopáticos são retirados de plantas e outras fontes da natureza. Inclusive os digitálicos (como a digoxina), usados em cardiologia há mais de 200 anos e provenientes de uma delicada flor (digitalis ou dedaleira). Análogos do curare, que é um veneno paralisante colocado nas flechas pelos índios da Amazônia, são usados rotineiramente em anestesia geral. Modernos anti-hipertensivos tiveram suas pesquisas iniciais no Brasil, estudando-se o veneno das serpentes como a jararaca.
“O Senhor fez a terra produzir os medicamentos:
O homem sensato não os despreza”.
Eclesiástico 38:4
A flora brasileira, tão em moda em discussões atuais como a da biodiversidade, é um dos maiores “laboratórios” que existem. Acontece que pouco se sabe sobre a maioria das substâncias fabricadas pelas nossas plantas. Muitos dos preparados hoje comercializados ou simplesmente “feitos em casa”, provém de informações leigas, e não se sabe se realmente funcionam, como e por quê. Pesquisas tem obtido progresso na área, que promete muito, mas as possibilidades são quase infinitas e prometem muito. Mas no momento a maioria dos preparados derivados de plantas vão continuar no terreno do “talvez”, do método “tentativa-e-erro”.
Não se deve esquecer também que algumas destas substâncias derivadas da flora, exatamente porque têm efeitos, podem ter também efeitos colaterais.
No citado exemplo da digoxina, que é utilíssima quando usada adequadamente, podem ocorrer intoxicação e até mesmo a morte, se houver excesso.
Portanto, deve-se evitar o conceito de que tudo aquilo que é derivado das plantas “não faz mal”, independente da dose. Afinal, a cocaína, a heroína e mesmo o tabaco e o café, estão aí para provar que não é bem assim.
Não cabe aqui um amplo debate sobre o assunto, mas alguns tópicos devem ser comentados:
Ambas as linhas de tratamento concordam que a ideia básica para as pessoas se tornarem mais saudáveis consiste na melhoria dos hábitos de vida, e não no uso frequente de medicamentos. A prescrição de medicamentos ficaria reservada àqueles casos em que a abordagem não medicamentosa isolada não foi eficaz. Aí, esta última é mantida, e acrescenta-se a medicação na dose mínima necessária e suficiente. Esta dose certamente seria maior se as medidas não medicamentosas não fossem adotadas. Estas incluem dieta com menos sal e gordura, e com mais vegetais e especialmente fibras, não fumar, beber com moderação, reduzir o peso corpóreo (se indicado), e ser menos competitivo, para reduzir o stress, além de fazer exercícios moderados regularmente.
Tanto alopatas quanto homeopatas com boa experiência clínica sabem os limites de sua atuação. Os homeopatas têm melhor treinamento em ouvir os pacientes e em vê-los como um todo, e não como partes isoladas. O que, aliás, deveria ser atributo de todos os médicos.
“Para grandes males, grandes remédios.”
Sabedoria popular
Por outro lado, casos mais severos de distúrbios relacionados aos fatores de risco necessitarão de uma abordagem mais firme, que pode incluir medicação alopática. Se você é um hipertenso grave, tem diabete de difícil controle, ou colesterol alto que não cede com dieta adequada, certamente este é o seu caso.
Alguns pacientes se tratam com este dois ramos da medicina simultaneamente, e frequentemente ocultam de um dos médicos que estão se tratando com o outro, achando que poderiam ferir susceptibilidades.
O tratamento simultâneo alopatia x homeopatia não é necessariamente um problema, mas um tratamento às escondidas é sempre um problema em potencial. Faça as coisas às claras, e defina com o profissional de sua confiança o que deve ser feito.
Alguns medicamentos encontrados à venda , livres de receituário, se dizem “homeopáticos”, e na realidade não o são.
As “fórmulas” para perder peso, prescritas em clínicas de emagrecimento de reputação duvidosa, são ditas homeopáticas, devido aos nomes complexos dos componentes, alguns escritos em latim. Vários deles são potencialmente perigosos, incluindo diuréticos, hormônios tireoidianos, laxantes, digitálicos (que são medicação cardiológica), inibidores de apetite e tranquilizantes, entre outros.
Para piorar, algumas fórmulas são “copiadas” por pessoas amigas, que se sentem constrangidas em ir à consulta, mas não em usá-las.
Os cardiologistas estão frequentemente atendendo complicações, incluindo palpitações, alterações cardíacas e oscilações de pressão, decorrentes destes coquetéis explosivos. Fuja deles!
Idosos, incluindo cardíacos idosos, têm um risco, que aumenta com a idade, de sofrerem acidentes aparentemente banais, como quedas em casa, que apresentam um grave potencial de complicações, como fraturas de bacia e costelas, traumatismos cranianos, etc.
Fraturas de fêmur são causa freqüente de intercorrências graves, como embolia pulmonar.
Estatísticas mostram que 30% dos indivíduos após 65 anos e 50% após 80 anos têm pelo menos uma queda ao solo por ano, a maioria delas ocorrendo por simples deslocamentos dentro de casa.
Até 10% de eventos graves e 25% das internações em hospital após os 70 anos podem ser devidas às consequências de uma queda.
Cardíacos têm risco de cair aumentado pelo uso de vasodilatadores, diuréticos, anti-hipertensivos, e às vezes anti-depressivos, que podem fazer a pressão arterial baixar excessivamente.
Isto pode ocorrer, por exemplo, quando se passa subitamente da posição deitada ou sentada para a posição de pé.
Tranquilizantes e outros medicamentos que provocam sonolência também são incriminados.
Outras causas de queda são alterações visuais (catarata, etc.), do equilíbrio (síndromes labirínticas), da força muscular e dos reflexos, e doenças das pernas e pés, levando a dores e dificuldade em manter uma marcha adequada.
Idosos podem ter alterações do nível de atenção, e ficarem desatentos aos possíveis obstáculos em uma caminhada.
Diante do exposto, prevenir quedas neste grupo de pacientes é fundamental.
Medidas neste sentido começam no consultório médico, verificando-se sempre a pressão arterial nas posições deitada e de pé, quando se faz uso dos medicamentos citados.
O uso de qualquer remédio, principalmente se tomado por conta própria, deve ser mencionado ao cardiologista, que verificará as chances de possíveis interações negativas entre as várias substâncias.
Aqueles sem uma clara indicação para seu uso deveriam ser eliminados.
Nos casos em que ocorre uma diferença importante entre a pressão sistólica nas posições deitada e de pé, (20 milímetros ou mais: exemplo: 160/80 para 130/80), além de se rever os medicamentos, pode ser necessário que os pacientes se levantem “aos poucos”, se ficarem muito tempo deitados, e também pela manhã, ao acordar.
Primeiro assentar na beirada da cama e só depois de 1 a 2 minutos ficar de pé, e então aguardar alguns momentos antes de sair andando.
Outras medidas são:
Manter um nível mínimo de atividade física e manter alimentação adequada, para preservar a força e o tônus muscular.
Correção de distúrbios visuais (cirurgia de catarata, óculos, etc.).
Tratamento de vertigens e síndromes labirínticas.
Uso de calçados apropriados, não derrapantes. Calçar adequadamente sapatos e chinelos, que quando apenas “enfiados no pé”, ou parcialmente calçados, podem representar uma ameaça.
Evitar “situações de risco” como fios elétricos pelo caminho, tapetes soltos, pisos encerados e deslizantes, cachorros, brinquedos dos netos, escadas perigosas, etc.
Colocar acendedores de luz em locais próximos à cama, para evitar se levantar e deitar à noite no escuro (ou colocar uma lanterna no criado mudo).
Também no criado mudo podem ficar um abajur e um telefone com uma agenda com os números mais importantes. (Um risco é passar mal e levantar-se, já enfraquecido, para telefonar).
Camas, sofás e poltronas devem ser levantados para uma altura ideal de 55 a 65 centímetros, o que facilita assentar e levantar-se.
Móveis como estantes e armários, se afixados na parede, podem servir como ponto de apoio.
Um dos locais mais arriscados é o banheiro.
Pode ser necessário fixar na parede do box do chuveiro uma barra ou corrimão, que permita se agarrar ou apoiar, no momento de lavar pés e pernas, ou deixar dentro do box um banquinho de plástico (de 40 a 50 cm de altura) para tal fim.
Uma barra próxima ao vaso também pode ser útil, bem como tapetes de borracha e pisos pintados com tintas anti-derrapantes.
Existem assentos de vasos sanitários mais altos, alguns com até 12 cm de altura, que facilitam ao usuário levantar-se.
Como a altura do vaso sem o assento é de 38 cm, portanto muito baixa e exigindo um esforço extra do idoso para se erguer sozinho, com o assento especial vai para 50 cm, facilitando-o ir ao banheiro sem precisar de ajuda, e preservando sua privacidade.
Em escadas, a instalação de um corrimão pode ser providencial.
Após um episódio de queda, além das medidas citadas, é necessário apoio e estímulo dos familiares, pois o medo de cair novamente, pode levar o paciente a se movimentar menos, restringindo suas atividades, levando a maior fraqueza muscular… e maior risco de novas quedas, criando um ciclo vicioso.
À medida que melhoram os cuidados básicos de saúde, a expectativa de vida da população aumenta. No Brasil, de acordo com o IBGE, a expectativa média de vida hoje é de 76,8 anos, sendo que já se situou há décadas na faixa dos 50 e até mesmo na dos 40 anos! Alguns subgrupos populacionais no nosso país têm uma expectativa semelhante à dos países do primeiro mundo. Na Europa, é em média 82 anos, e o campeão, o Japão, tem para homens 86 e para mulheres 90, média de 88 anos. Prevê-se que no ano 2050 haverá mais idosos do que jovens no mundo.
Se uma pessoa morresse apenas por envelhecimento, estima-se que sua expectativa média de vida seria de 120 anos. Cada vez mais se observam pessoas na sétima ou oitava décadas de vida com uma aparência e hábitos saudáveis, sem maiores problemas de saúde ou doenças incapacitantes.
A própria definição de “idoso” é complexa, pois inclui idade cronológica e biológica. O saudoso professor E. J. Zerbini, que teve vida ativa e produtiva até idade avançada, dizia que “velho é quem tem 10 anos a mais do que a gente”.
Envelhecer é um processo que envolve tanto a mente quanto o corpo.
Em princípio, as pessoas de idade avançada devem aderir às recomendações para a vida saudável aplicáveis a todas as pessoas , respeitadas as limitações óbvias. Deve-se no entanto usar do bom senso, pois o objetivo não é tentar-se milagrosamente prolongar a vida. Afinal, o idoso já provou que consegue viver muito. A prioridade, é buscar uma vida saudável, com melhor qualidade; e, se possível prolongar estes anos de vida saudável. Neste contexto, não se aconselha submeter o idoso a dietas e restrições draconianas, já que ele tem reduzidas suas opções de lazer e prazer. A população de idosos é bastante heterogênea, e deve ser avaliado caso por caso.
“Ela pôs-se a rir secretamente:
‘Velha como sou, disse ela consigo mesma,
conhecerei ainda o amor?…’”
Sara, em Gênesis 18:12.
Os idosos, assim como toda a população, não devem fumar, e devem usar bebidas alcoólicas (se usarem) com parcimônia.
Os exercícios serão obviamente menos intensos, mas deve-se encorajar alguma atividade física (a menos que haja restrição absoluta) mesmo num nível mais baixo. Por exemplo, andar 1000 metros ou 500 metros, desde que não haja contraindicação formal. Mesmo nestes níveis restritos, o exercício é importante não só para a saúde física, mas também para a saúde mental e emocional.
O exercício regular no idoso pode ajudar a melhorar as funções mentais, diminuir a osteoporose, ativar a circulação sanguínea, melhorar a flexibilidade, a força muscular, e a agilidade e destreza para realizar as atividades do dia-a-dia, além de minimizar o risco de quedas.
Estudos recentes mostraram que a fraqueza muscular no idoso pode melhorar significativamente com exercícios associados a suplementação nutricional.
Continua sendo importante controlar o colesterol, naqueles que já tiveram algum diagnóstico de doença cardiovascular aterosclerótica, pois tem sido demonstrada estabilização da placa de ateroma com tratamento adequado. Medicamentos para baixar o colesterol são avaliados individualmente, devido a maior chance de intolerância e a risco de interação negativa com outros medicamentos frequentemente usados nesta faixa etária.
Leva-se em conta ainda a motivação do paciente, e o seu estado geral de saúde.
Não só na área cardiológica, mas no contexto geral da medicina, remédios usados por idosos devem ter sua utilidade, real necessidade e relação risco/benefício reavaliada de modo crítico e de tempos em tempos, e a qualquer momento em que se inicia o uso de um novo medicamento.
Quando pacientes de idade avançada fazem uso de medicação anti-hipertensiva, devem iniciar com a menor dose possível, levando-se em consideração que têm maior tendência a oscilação de PA e variabilidade de valores no decorrer do dia. Problemas intercorrentes, como diarreia, febre, desidratação, uma gripe forte ou mesmo permanência prolongada no leito podem indicar uma redução ou suspensão temporária dos remédios para a pressão, especialmente diuréticos.
A depressão é comum nesta faixa etária, e pode afetar seriamente a saúde física e mental.
“Por que te deprimes, ó minha alma,
E te inquietas dentro de mim?”
Salmos 41:6.
O idoso pode desenvolver depressão, às vezes tendo como principal manifestação sintomas físicos, e de diagnóstico nem sempre fácil. Familiares devem observar mudanças importantes na rotina, nos hábitos e no comportamento, que podem fazer suspeitar de depressão, incluindo desinteresse para as atividades antes consideradas prazerosas e lapsos frequentes de memória. Pode haver importante sofrimento psicológico, com prejuízos na vida familiar e social.
A depressão aumenta o risco cardiovascular; as pessoas que já tiveram problemas cardíacos e estão deprimidas têm chance 3 a 4 vezes maior de ter novos problemas do coração, do que as não deprimidas. E aqueles deprimidos que nunca tiveram problemas cardíacos têm mais risco de ter o primeiro infarto ou derrame, do que os não deprimidos. Geralmente há a necessidade do uso de antidepressivos; caso sejam prescritos, o acompanhamento deve ser rigoroso, devido à maior chance de efeitos colaterais na área cardiovascular.
Durante o tratamento, além do médico, pode haver a necessidade de uma “equipe de apoio”, incluindo familiares, amigos ou paramédicos.
Um quadro depressivo às vezes tem causa aparente (ex.: morte do cônjuge ou outras perdas, infarto, cirurgia cardíaca, derrame). Mas muitas vezes acontece sem qualquer motivo que o justifique. Fatores hereditários (familiares), intracerebrais (metabólicos) e situacionais (como econômicos, afetivos, etc.) podem agir isolados ou associados.
“Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas,
que é a sem razão de motivo…”
Guimarães Rosa,
em Grande Sertão, Veredas
Algumas das características seguintes, se persistentes (por algumas semanas), devem ser informadas ao médico, pela possibilidade de se estar diante de uma depressão:
tristeza, inquietação, ansiedade e sensação de desamparo, de inutilidade ou de vazio;
piora do quadro pela manhã, com alguma melhora no decorrer do dia;
desesperança e pessimismo quanto ao futuro;
diminuição da capacidade de sentir prazer e gosto pelas coisas;
desinteresse sexual;
lentidão de raciocínio e dificuldade de atenção e memória, principalmente em guardar fatos novos, como o que acabou de ler ou de ver na TV;
dificuldade de concentrar-se e de tomar decisões, mesmo banais;
imaginação de estar com doenças graves, ou de ser um peso para a família;
falta de energia e de vontade quanto aos cuidados pessoais, como tomar banho ou barbear-se;
insônia, despertar precoce pela manhã, ou sono excessivo;
diminuição ou aumento excessivos do apetite e peso;
queixas de sintomas físicos persistentes, sem uma causa evidente, como dor de cabeça, distúrbios gástricos ou intestinais e dor crônica.
Qualquer que seja o caso, uma vez instalada a depressão, deve-se buscar auxílio médico. Pouco adiantam (e às vezes chegam a ser prejudiciais), pressões para que o paciente “reaja e encare as coisas como são”. É preciso ter em mente que a pessoa não tem culpa de estar deprimida. Simplesmente não consegue sair sozinha, sem ajuda, desta situação.
A aposentadoria pode ter um efeito variável na saúde do idoso. Para alguns, representa o fim de uma vida útil e produtiva. Para outros, uma simples mudança de papéis, em que se passa de uma atividade obrigatória e estressante, para outra, voluntária, útil aos familiares, à comunidade ou a si mesmo. Ou mesmo remunerada, porém mais suave, em tempo parcial.
O envolvimento em alguma atividade gratificante após a aposentadoria pode representar uma motivação a mais para se ter cuidados pessoais, de dieta, exercícios e hábitos saudáveis, e tratamento médico adequado, o que pode significar anos extras de vida. Novos projetos de vida e o relacionamento com novas pessoas estimulam o psiquismo, melhorando a memória e o raciocínio.
O aprendizado de alguma coisa diferente, como um curso interessante, atividades como jardinagem ou mesmo algo rentável, além de programas voluntários de ajuda, são alguns exemplos de motivação para o idoso.
Pessoas de idade que se envolvem em um relacionamento afetivo, incluindo contato físico afetuoso e saudável, mesmo que não signifique necessariamente contato sexual, têm melhor equilíbrio emocional, com reflexos na saúde como um todo.
A aviação comercial tem suas aeronaves pressurizadas, de modo que, apesar de subirem a 10 000 e até 13 000 metros , a pressão do ar na cabine de passageiros é mantida artificialmente como se o avião estivesse numa altitude de 1500 a 2400 metros. Nessa “altura artificial”, há 25% menos oxigênio que ao nível do mar. A maioria dos pacientes cardíacos não têm problemas em respirar o ar com esta concentração. Exceção é feita para aqueles com doenças cardíacas cianóticas (em que a pele fica azulada; geralmente doenças cardíacas congênitas), os com doenças pulmonares graves, como enfisema avançado, ou insuficiência cardíaca grave ou angina grave. Mesmo assim os aviões normalmente têm uma reserva de oxigênio com máscara para ser usada em possíveis emergências, como situações agudas de falta de ar.
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Cuidados em viagens de avião:
Sair bem cedo em relação ao horário de embarque, pois os aeroportos costumam ter longas distâncias a serem percorridas a pé, o que não deve ser feito na forma de “correria”, por cardíacos. Outro motivo para sair mais cedo é evitar ansiedade com relação a trânsito e horários, igualmente indesejável.
Cardíacos idosos e casos mais severos podem (e devem) utilizar cadeiras de rodas, disponíveis em aeroportos, e de uso comum no exterior, mas ainda pouco requisitadas no nosso país.
Carregar apenas a bagagem de mão, deixando as malas para familiares ou carregadores. Malas com rodinhas podem ajudar.
Mesmo apenas colocar e retirar malas pesadas dos carrinhos e balcões de aeroportos, para o “check-in”, pode ser um problema para cardíacos.
Levar na bagagem de mão a medicação cujos horários coincidirem com o período de voo. É comum os pacientes levarem os remédios, mas lembrarem na hora de tomá-los que estão “na mala grande”, que por sinal está no compartimento de bagagem do avião, e portanto inacessíveis após despachadas.
Em viagens ao exterior, calcular e levar (com alguma folga) os remédios de uso contínuo suficientes para todos os dias. Em muitos países não se compra a maioria dos medicamentos sem receita médica; pode acontecer também que o remédio esteja em falta, ou simplesmente não exista no país.
Quanto às mudanças de fuso horário sugere-se o seguinte: Se a permanência no destino for curta, tipo uma ou 2 semanas e no máximo um mês, o melhor a fazer é manter os mesmos horários que se tomava regularmente como se estivesse no país de origem. Desta forma não haverá necessidade de readaptar horários ao retornar. Se a permanência for mais longa, maior que um mês, aí vai se “chegando aos poucos” para o horário do local de destino, mas tendo que fazer a readaptação no retorno pra casa.
Alguns casos mais graves podem requerer que uma ambulância se posicione ao lado da fuselagem do avião (em aviões de menor porte) para o embarque e desembarque, para evitar grandes percursos. Em aviões maiores, que usam plataformas de embarque, este é feito, como já citado, com o paciente numa cadeira de rodas. Às vezes, pode ser necessária a presença de um médico durante a viagem, ou a utilização de “ambulâncias aéreas”.
Há casos (especialmente após uma alta hospitalar), em que a companhia aérea pode requerer um atestado médico, liberando o paciente para a viagem, e até mesmo pedindo-o para assinar um termo de consentimento. Existem 2 formulários básicos: o MEDIF (Medical Information) válido para uso uma única vez, em uma situação médica nova, recente. E o FREMEC (Frequent Traveller´s Medical Clearance) para pessoas com condições crônicas e estáveis, que viajam com certa frequência e podem necessitar de alguma assistência especial. A validade é de 6 a 12 meses.
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Pessoas gravemente enfermas deveriam evitar viagens, a menos que estritamente necessário.
Casos com boa evolução de infartos e cirurgias de pontes de safena podem em princípio viajar, cerca de 10 a 15 dias após o evento, se liberados pelo médico e tomadas as precauções necessárias.
As companhias aéreas já equipam seus aviões com desfibriladores automáticos, que podem ser usados com segurança pelo pessoal de bordo, em casos de ataques cardíacos em pleno voo.
Ficar muito tempo assentado, num ambiente de baixa pressão, leva a dificuldades circulatórias e a inchação. Se o voo é prolongado, cardíacos devem andar algumas vezes pelo corredor da aeronave ( andar um pouco a cada duas ou três horas; para isso é melhor escolher um assento no corredor do que na janela) para ativar a circulação nas pernas, e reduzir inchaço e risco de coágulos nas veias (tromboses e flebites). Flexionar e estender os tornozelos e pés (exercícios de panturrilha) 10 vezes em cada perna também estimula a circulação. Tomar água em grande quantidade, pois a desidratação aumenta a viscosidade do sangue,
Fatores gerais que elevam o risco de trombose venosa e embolia pulmonar tem a ver com a duração do voo (acima de 4 a 6 horas), a posição ou inatividade das pernas, hipóxia ou baixa de oxigênio relativa (correspondendo a uma altitude “simulada” de 1500 a 2400 metros) e desidratação por baixa umidade na cabine ( das bebidas servidas no avião, preferir sucos e água e evitar bebidas alcoólicas e bebidas tipo cola, café e chá, que induzem diurese).
Fatores individuais incluem idade (>60 anos), uso por mulheres de pílulas anticoncepcionais e hormônios para a menopausa, obesidade (IMC > 30 kg/m²), gravidez e pós parto até 3 meses, cirurgias recentes (até 4 semanas) , câncer ativo nos últimos 6 meses ou recente tratamento de câncer, roupas muito apertadas, imobilidade (ex.: perna gessada), varizes, história pregressa de trombose venosa ou embolia pulmonar e insuficiência cardíaca e outras situações específicas, como trombofilias. Nestes casos pode haver beneficio do uso durante o voo de meias elásticas de compressão abaixo do joelho, com uma pressão de 15 a 30 mmHg no tornozelo .
Alguns passageiros de maior risco podem se beneficiar, a critério de seu médico assistente, de anticoagulantes injetáveis aplicados antes do voo, sendo que mais recentemente também tem sido usados os anticoagulantes orais mais modernos. Apesar de ainda não haverem estudos específicos destes comprimidos no caso de viagens de avião, tudo indica que serão úteis ( e já estão sendo utilizados “off-label”) , pois exatamente nos voos mais longos (os internacionais) os passageiros, no prazo recomendado de 2 a 4 horas para tomar a medicação injetável, já terão que estar a caminho do aeroporto, dificultando a sua aplicação. Tendo o comprimido, o próprio viajante o tomará no aeroporto, 2 horas a 4 horas antes do voo, o que já é suficiente para atingir pleno efeito anticoagulante. Mas sempre sob indicação médica.
Aspirina não tem nenhuma utilidade nessas situações.
Sinais e sintomas que podem requerer auxílio médico: Trombose pode ser suspeitada se aparecer dor e inchação súbita em uma das pernas, em especial na panturrilha, às vezes com vermelhidão da pele e calor local. Embolia pulmonar: súbita falta de ar, palpitações, dor no peito e tosse às vezes com sangue. Em qualquer dessas situações procurar atenção médica imediata.
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Viagens por via terrestre
De carro: A cada 200 km, ou a cada 3 horas de viagem, fazer uma parada para caminhar um pouco e movimentar as pernas.
Se sozinho no banco de trás, sentar de lado e colocar as pernas sobre o banco, na horizontal.
De ônibus: Andar nos locais de parada .
De trem: Como no caso do avião, caminhar algumas vezes pelos corredores, para ativar a circulação das pernas.
Viagens a montanhas em grandes altitudes
No nosso país, este geralmente não é um problema. No exterior, locais acima de 2000 a 3000 metros não são raros. A Cidade doMéxico está a 2240 metros, e La Paz, capital da Bolívia, a 3600 metros.
Em viagens a lugares montanhosos acima de 1500 metros, os portadores de angina e insuficiência cardíaca, mesmo compensada, que não estejam habituados a tais altitudes, devem limitar sua atividade física, para reduzir o consumo de oxigênio, e devem evitar sair no frio intenso. Por “habituados” entende-se os moradores destes locais, cujo organismo teve longo período para se aclimatar ao ar rarefeito.
Elevações discretas da PA e da frequência cardíaca são comuns, e acontecem principalmente nos primeiros dias. Um período inicial de adaptação de 3 noites a no máximo 2000 a 2200 metros, pode ajudar antes de se encarar altitudes maiores.
Essa adaptação pode ser acelerada com o uso do diurético acetazolamida (Diamox) iniciado na manhã do dia anterior à subida maior e mantido até começar a descida. O seu efeito favorável é através do estímulo à ventilação e do aumento da oxigenação. A dose usual é de meio a um comprimido de 250 mg pela manhã e à noite, mas o médico deverá ser consultado quanto ao seu uso.
Uma boa hidratação ajuda a minimizar os problemas de se respirar um ar mais frio e seco.
Calor, umidade e Frio
Calor e Umidade
Pacientes cardíacos têm uma tolerância ao calor bem menor que a dos não cardíacos, e podem ter sua situação piorada em ambientes muito quentes (acima de 30 graus) e úmidos (acima de 75 a 80%), inclusive saunas.
Hipertensos em uso de vasodilatadores e diuréticos podem ter uma queda da pressão.
Há um aumento do trabalho cardíaco, aceleração dos batimentos e uma dilatação acentuada dos vasos, além de perda de líquidos e potássio com o suor.
Exercício e uso de bebidas alcoólicas acentuam ainda mais estas alterações. Mesmo pessoas não cardíacas podem ter respostas exageradas ao calor, se fizerem exercício vigoroso em ambientes muito quentes.
Frio
Ao contrário do calor, uma exposição ao frio intenso (ex.: sair de casa sem agasalho em dias muito frios), pode levar a constrição dos vasos e aumento da pressão arterial.
Umidade e vento acentuam os efeitos do frio. Pessoas com problemas coronários podem ter crises de angina. Hipertensos podem ter crises de pressão elevada.
Idosos são particularmente susceptíveis.
No inverno, uma combinação perigosa para cardíacos e hipertensos é se expor ao tempo carregando uma mala pesada, ou “ir lá fora” para buscar as compras ou levar o lixo.
Mergulho
O ambiente subaquático impõe um enorme desafio adaptativo ao organismo. Há a necessidade de completo equilíbrio emocional e total integridade do coração e sistema respiratório, incluindo vias aéreas superiores, e também dos ouvidos.
Pessoas aparentemente sadias devem passar por um exame médico rigoroso, antes de iniciar cursos de mergulho.
Existem formulários apropriados, fornecidos por associações internacionais da área.
Cardíacos não devem se aventurar em tais atividades. Arritmias, oscilações de pressão e perda da consciência são um risco. Hipertensos não cardíacos devem ser avaliados caso a caso.
As mulheres vivem em média 5 a 8 anos a mais do que os homens (há muito mais viúvas do que viúvos).
Apesar de os homens terem risco aumentado para doença coronariana, em relação às mulheres, existe um paradoxo na prática. Os cardiologistas já observaram que as mulheres se apresentam para a consulta com muito mais freqüência do que os homens, se cuidam mais e até se queixam mais. Quando deveria ser o contrário:
os homens, por serem um grupo de maior risco, buscarem controle médico com mais freqüência. Mas talvez por serem mais “durões”, e reconhecerem menos suas vulnerabilidades, não procuram controle adequado. Qualquer agenda de consultório de cardiologistas tem mais mulheres do que homens marcados para consultas.
Outro dado importante é que as mulheres jovens visitam periodicamente o ginecologista, e o têm como médico de referência, inclusive no aspecto de medicina preventiva. Ele acaba sendo o “clínico” da mulher por um bom tempo (algumas décadas) até que ela tenha demandas específicas para outro médico.
Já muitos rapazes, após ultrapassarem a “idade pediátrica” (acima de 12 anos), deixam de ir ao médico, ou só o fazem para consultas sumárias (ex.: exames para o serviço militar e para empregos), só voltando a procurar consultar-se na faixa dos 40 anos, quando começam a ficar preocupados com a saúde. Passam então um longo período (ex.: 12 aos 40 anos), quando ficam “soltos” sem avaliações médicas detalhadas, e perde-se um tempo valioso, caso houvesse necessidade de intervenções preventivas, como controle de colesterol ou pressão arterial.
Ao longo da História, o coração-símbolo teve para o homem pelo menos seis significados: Coragem, Vontade, Desejos, Emoções, Vida e Amor.
Em latim, a palavra “cor” ou “cordis” significa coração, mas também pode significar alma ou cerne.
“Coração, meu tambor do peito, meu amigo cordial” Milton Nascimento e Fernando Brant
O primeiro significado do coração como símbolo foi o da coragem. O homem primitivo comia o coração do leão, para ter mais coragem, pois o leão era considerado o animal mais corajoso da natureza. Pensando bem, o nosso ancestral já tinha coragem suficiente, pois para comer o coração do leão era preciso primeiro… matar o leão.
Ricardo Coração de Leão (Ricardo I, rei da Inglaterra de 1189 a 1199) passou a maior parte dos 10 anos de seu reinado não administrando, mas guerreando. Era um administrador medíocre, mas um bravo guerreiro, daí o seu apelido. Coração e coragem têm uma raiz latina comum.
Até hoje existe na língua inglesa a expressão stout-hearted man, cuja tradução literal seria “homem de coração forte”, mas cujo significado é “homem corajoso”.
Em francês, a palavra coeur quer dizer coração, mas também é usada como sinônimo de coragem (La coeur me manque, isto é, “me falta coragem”).
Ilustração do livro “Schola Cordis”, circa 1600
Em torno de 1000 AC, o rei Salomão usou exaustivamente a palavra coração, com vários significados.
Podia estar contente:
“O coração contente alegra o semblante; quando o coração está triste, a alma se abate.” (Provérbios 15:13)
Ou tranquilo:
“Um coração tranquilo é a vida do corpo.” (Provérbios 14:30)
Podia ser a fonte da vida:
“Guarda teu coração acima detodas as outras coisas, porque dele brotam as fontes da vida”. (Provérbios 4:23)
Ou refletir o íntimo do ser:
“Como o homem imaginaem seu coração, assim ele é.” (Provérbios 23:7)
Em torno de 30 A.D. o órgão também expressava sentimentos como euforia, tristeza ou angústia.
Como o coração não pode falar, estes sentimentos são postos para fora, pela boca:
“Porque a boca fala daquilo que o coração está cheio.” (Lucas 6:45)
Podia ser usado para expressar sentimentos puros e elevados:
“Bem aventurados os limpos de coração.” (Mateus 5:8)
A palavra coração aparece com profusão na Bíblia. Ao todo, 873 vezes, sendo 714 no Velho Testamento e 159 no Novo Testamento, em geral como o símbolo da disposição e da vontade do homem, e figurativamente, a fonte de todas as emoções e sentimentos.
Ilustração do livro “Schola Cordis”, circa 1600
No período de 300 a 900 A.D., na América pré-colombiana, os maias tiveram jogos de bola parecidos com o nosso futebol.
“O coração de um homem modifica o seu semblante, Seja em bem, seja em mal. O sinal de um coração feliz é um rosto alegre…” (Eclesiástico 13: 31-32)
A bola era de borracha maciça e simbolizava o Sol. Duas equipes disputavam em um campo demarcado com pedras. Uma das diferenças com o futebol moderno é que a bola não era tocada com os pés, mas com os quadris e coxas. Outra é que os perdedores tinham um destino diferente dos atuais. Ao time derrotado, ao invés de se “pedir a cabeça do técnico” como se faz hoje, pedia-se (literalmente) o coração do capitão do time, que tinha seu peito aberto por sacerdotes, e o órgão arrancado e oferecido, ainda pulsando, ao Sol, para que este nunca se apagasse (o coração simbolizava a vida).
Os astecas fizeram sacrifícios semelhantes até 1519, quando chegaram os espanhóis e acabaram com este esporte, de gosto um tanto duvidoso. Infelizmente, certos times e torcidas hoje em dia ainda apresentam comportamento semelhante, beirando a carnificina explícita, e tendem mais para um espírito de porco do que para um espírito esportivo.
Ilustração do livro “Schola Cordis” , circa 1600
Ano de 1595
O coração em sua expressão máxima, o Amor, maior até do que como símbolo da vida. Amor que permanece até mesmo após a morte.
Romeu:
“-Pois jurarei:
Se o amor querido do meu coração…”
Julieta:
“-Boa noite, boa noite! Ah! Que esta doce calma
que enche o meu coração, encha também tua
alma”.
(W. Shakespeare. Romeu e Julieta. Ato II. Cena II. Verona. O Pomar dos Capuleto)
Ilustração do livro “Schola Cordis”, circa 1600
Chegamos então a uma época de transição. O coração passou a ser retirado de cadáveres e a ter sua anatomia estudada, apesar da proibição da Igreja Católica.
Dentre os que primeiro estudaram a anatomia cardíaca, Miguel Servet pagou com a própria vida, tendo sido queimado pela Santa Inquisição numa fogueira feita com seus próprios livros. (Apesar de todas as alegadas dificuldades da medicina em nossos dias, os médicos atuais pelo menos não correm este risco; já é alguma vantagem).
Buscando mais sobre a simbologia do coração ao longo da história, um trabalho de “garimpo” na biblioteca de livros raros do Colégio Caraça, nas montanhas de Minas Gerais, revelou dois livros extraordinários: “A Escola do Coração” (Schola Cordis), datado de 1600, e o “Cardio Morphoseos”, de 1645. Seu valor é amplificado pelo fato de terem sido salvos no incêndio do colégio em 1968, em que a maioria dos livros da sua famosa biblioteca se queimou.
Em ambos, pode-se observar a variedade de situações em que o coração era utilizado para simbolizar emoções e sentimentos, no aspecto sacro e religioso e nas suas relações com o humano. Das dezenas de ilustrações existentes nestes dois livros, algumas ilustram este artigo.
Os livros naquela época deviam ser raros e caros, e o Cardiomorphoseos, apesar de impresso em Verona em 1645, passou pelas mãos de alguém em Roma em 1878 que fez anotações manuscritas à margem.
Os textos são em latim e, como era de se esperar para uma época em que ainda se via no horizonte a fumaça das fogueiras da Santa Inquisição, logo no começo dos livros há uma página em que se lê: “Censvra … Archipresbyter Bruxellensis, Librorvm Censor”.
Depois, foram parar no Colégio Caraça, fundado pelo misterioso irmão Lourenço, eremita dos anos 1700, e berço de notáveis, como os presidentes Afonso Pena e Artur Bernardes, que lá se formaram, e lugar de trânsito de figuras da monarquia, como os próprios Imperadores Pedro I e Pedro II. Este último tem uma passagem famosa por lá.
Reza a lenda que sua majestade D, Pedro II foi descer uma escada no jardim, escorregou e pimba! Caiu assentado numa posição nada majestática.
Como homenagem, a pedra da escada que sofreu o impacto direto dos reais traseiros foi devidamente cercada, e nela esculpidos o brasão do imperador e a provável data da façanha.
Pedra na escada do Caraça onde Sua Alteza Real depositou sua derriére. (foto dos autores)
Ano de 1799
Já se imaginava o coração, além do simbólico, um órgão passível de adoecer e provocar males físicos.
O Dr William Withering descreveu os efeitos da digitalis, que foi o primeiro medicamento efetivo para o coração. A informação sobre os efeitos desta planta (dedaleira) teria sido passada a ele por uma feiticeira inglesa. Relato, aliás, digno de crédito, quando vemos hoje, às portas do século XXI, pajés da Amazônia sendo inquiridos por “olheiros” de empresas de alta tecnologia, para dizer o que sabem sobre as plantas locais.
Como se vê, ao longo da História, o mágico e o racional coexistem lado a lado, ou avançam e retrocedem, num plasma incrível, para forjar o conhecimento científico.
Em 1890, um século depois, o “Formulário”, do Dr Pedro Luiz Napoleão Chernoviz, médico português de ascendência polonesa e que trabalhou no Brasil, dava receitas de como preparar as folhas da digitalis.
Nesta época, o folhear aflito das páginas deste livro era a primeira coisa que se fazia em casa em caso de doenças. (Hoje, folheia-se aflitamente o catálogo ou a agenda doméstica, à cata do telefone do médico ou do hospital).
Ilustração do livro “Schola Cordis”, circa 1600
Tempos atuais. A sábia sabedoria popular, fazendo analogias entre o superficialismo da face e a profundidade do coração:
“Quem vê cara não vê coração” (Dito popular)
“É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração” (Parachoque de caminhão)
Até Chico Buarque andou misturando sentimento com anatomia:
“Se na bagunça do teu coraçãomeu sangue errou de veia e se perdeu” (Eu te amo)
E Drummond:
“Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores” (Mundo Grande)
E cita Branca de Paula:
“O coração do poeta está sempre na berlinda. Desde criança, sofre males incuráveis: melancolia crônica, saudade não sei de quê, nostalgia em banho-maria, euforia aguda, paixão fugaz, estranhamento, deslumbramento”. (Mesa redonda “O Coração em Debate”, Belo Horizonte, 08.06.97).
Ilustração do livro “Schola Cordis”, circa 1600
Ano de 1967
Os homens modernos se tornaram solitários; e seus corações também. Pessoas de corações solitários se organizam em comunidades e clubes, buscando afastar a solidão.
Os Beatles fizeram uma brincadeira com o nome de uma música, que tem tudo a ver com a nossa época: “A Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pepper” (Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band).
Atualmente, os “Lonely Heart’s Clubs” encontram-se aos montes na Internet, onde os corações tentam encontrar parceria, seus “heart mates”, numa versão eletrônica dos velhos correios sentimentais.
Neste caso, o coração passa a ser usado para expressar não só o amor… mas principalmente a falta dele.
Ano de 1967 de novo
O primeiro transplante cardíaco. O coração é retirado ainda pulsando do doador, e repassado a outra pessoa.
Para que isto fosse possível, o próprio conceito de morte teve de ser revisto, passando a ser definido quando o cérebro cessa definitivamente suas funções, mesmo que o coração continue batendo.
Teria o coração finalmente sido desbancado como o símbolo da vida?
A resposta é: provavelmente não.
Se olharmos para o passado, poderemos fazer algumas comparações no mínimo estranhas.
Os sacerdotes maias e astecas com seu medo do Sol se apagar, retiravam um coração ainda pulsando e o ofereciam ao Sol, como símbolo da vida, para que este nunca se apagasse.
Da mesma forma, o cirurgião hoje retira o coração do peito do doador, ainda pulsando, e o transfere a outra pessoa, significando para ela… a vida!
Ilustração do livro “Cardio Morphoseos”, de 1645
Provável origem do título desta ilustração: A Biblia, no Cântico dos Cânticos de Salomão, 2:5
( da esposa para o esposo) :
“ fulcite me floribus stipate me malis quia amore langueo”
(Sustente-me com flores, conforte-me com maçãs, que padeço de amor)No entanto, em seguida surgem termos como febris (febre), podagra (gota), nephritis (nefrite), cólica, disuria (desconforto ao urinar), hidrops (hidropisia), o que faz crer nas tradições das iluminuras antigas, da oposição do bem e do mal na mesma figura. Observa-se que as flores de um lado “expulsam ”as doenças, forçando sua saída pelo outro lado.
La vecchiaia è brutta”, dizem os italianos. Ou seja: “A velhice é feia”.
Este ditado é assaz revoltante, aqui ou na Itália.
Talvez tenha sido criado pelos próprios velhos italianos, os nonos e nonas, mais como um reflexo de uma sensação de amargura por uma condição de vida de dificuldades, que não escolheram, ou pelo tratamento recebido pelos mais novos.
Mas é claro que a velhice pode e deve ser bela!
Quantos idosos vemos irradiando beleza, sob todas as formas que beleza pode significar?
E qual o segredo para se viver muito? Existe uma fórmula?
No livro A Ilha dos Anciãos o autor, Ben Hills, visita as montanhas da ilha da Sardenha, região no mundo onde as pessoas tem maior chance de chegar aos 100 anos. Tanto os homens quanto as mulheres, em proporções iguais, diferentemente dos outros lugares, onde há bem mais viúvas que viúvos.
O livro tenta achar um fator (ou fatores) comum a estes velhinhos, e que possa explicar por que vivem tanto. Se havia a esperança de um gen da longevidade, neste caso não foi encontrado. Mas não se pode negar que mesmo não se identificando um gen específico, que possa um dia ser isolado e “enxertado” na carga genética das outras pessoas, há que se reconhecer que alguma genética existe.
Pais muito idosos geram progênie idem. As causas genéticas disto ainda são assunto para o futuro, talvez com base não em um, mas em múltiplos genes.
Mas voltemos à ilha do livro e seus velhinhos.
O que mais tinham de hábitos? Comida regrada? Nem sempre. Uns comem pouco, outros muito e de tudo.
Uns comem verduras, outros arrepiam “de modo teatral” só de ouvir falar em saladas. Mas em geral não são gordos. E, para compensar alguma comedoria excessiva, todos contam uma história de trabalho duro no campo desde novos,
às vezes dia e noite na época das colheitas, sem entender quando alguém de fora pergunta qual é o seu passatempo.
“Seu único passatempo é o trabalho” nos diz o autor. Quase ninguém se aposenta,
e continuam ativos mesmo depois de bem idosos.
Vinho? Os homens quase todos tomam. As mulheres, umas sim outras não.
Ah bom! Um dos tais centenários desta Sardenha retratada no livro (Antonio Argiolas, aliás o “garotão” da capa do livro) produziu um dos “1001 vinhos que se deve beber antes de morrer”, o tinto Turriga, super forte e troncudo, feito com uma uva local, a Cannonau, de casca grossa e que é fermentada junto com o mosto de modo tradicional, durante semanas.
Um estudo científico testando 165 vinhos de várias partes do mundo mostrou que esta uva divide com a Tannat o título de ter a maior concentração de substâncias benéficas para a saúde cardiovascular. “Para tristeza dos esnobes do vinho, não era nenhuma das variedades mais nobres e conhecidas…”, comenta Hills, o autor da Ilha dos Anciãos. Antonio só se retirou da sua lida com os vinhos em junho de 2009, quando fechou os olhos pela última vez, aos 102 anos.
Mas não se iluda. Tem longevo lá que nem passou perto deste ou de qualquer outro vinho. O autor reconhece apenas três fatores comuns aos super idosos da ilha, todos três ditos “não ortodoxos”, ou seja, não estão entre os mais cotados, como colesterol, pressão, cigarro, etc:
Uma espiritualidade muito desenvolvida. Todos muito religiosos.
Uma família bem estruturada. Os parentes velhos não são um incômodo, e nem alijados do convívio familiar. Ao contrário, a casa gravita em torno deles.
Todos têm uma fé muito grande no futuro. Parece que de tanto enfrentar e superar as durezas da vida e sobreviver, dão a impressão de que estão sempre prontos a encarar tudo o que vier pela frente, sem medo.
Outro povo longevo e que trata seus idosos de modo respeitoso e os mantém totalmente inseridos no contexto familiar são os japoneses.
Curiosamente, pode não ter sido assim sempre.
Pelo menos no território das lendas seculares, num passado longínquo teriam existido as “Ubasute Yama”, ou montanhas para onde os velhos eram levados e abandonados para morrer em épocas de escassez.
Tudo indica que o aspecto comportamental e espiritual, apesar de difícil se mensurar, o “saber viver”, e o ambiente social e familiar em que se vive, sem dúvida influencia a saúde.
Vejam este diálogo (real) entre um paciente de 96 anos, super enxuto e em ótima forma, e seu médico com pouco mais de metade desta idade:
– Mas o senhor tem 96 anos? Parabéns pela boa saúde! – Doutor, o senhor quer chegar lá? – Só se for com esta saúde toda que você tem. – Vou te dar o segredo (ai o nosso doutor já imaginou que viria algum conselho sobre alimentação, exercícios, vida saudável ou coisa que o valha). – O segredo? Saiba perdoar! O perdão faz um bem prá nós mesmos maior do que prá pessoa perdoada!
Um estudo científico mostrou que uma vida de solidão é também um risco. Que as pessoas casadas vivem mais que as solteiras e divorciadas.
Mas veja como as estatísticas são engraçadas. Um outro estudo mostrou que os infartos acontecem mais dentro de casa.
O que levou um cientista com um afiado senso de humor a afirmar, após analisar estes dois estudos: “Então pronto! Está aí o segredo: é só todo mundo se casar, mas evitar ficar dentro de casa!”
Já outro paciente ao comemorar suas bodas de ouro, deu a fórmula para se evitar
o divórcio e fazer o casamento durar: “Tem que se manter sempre um certo grau
de cerimônia. Evitar escrachar. Banheiros? Cada um tem o seu. Intimidades, só na hora H”.
Imagem: Freepik (Premium)
Brincadeiras à parte, o compromisso para envelhecer bem não é apenas pessoal, é da família e da sociedade.
É pessoal, no sentido de hábitos saudáveis e cuidados tomados ao longo da vida.
Até certo ponto, “envelhece-se como se vive”.
Da família, reservando um lugar, permitindo que o idoso sempre tenha sempre um papel no contexto da casa.
E da sociedade e do governo, não fugindo de suas responsabilidades para com os idosos. No Brasil ou na Itália, há idosos irradiando beleza.
É possível que seja uma beleza muito mais interior, irradiando de dentro para fora, do que exterior.
Uma paz de espírito, uma simpatia, um belo estado d´alma, ou seja lá o que for.
E por que não vemos isto mais amiúde? Como contestar com mais veemência o ditado italiano? Como pode irradiar beleza um idoso carente, fisicamente doente e deprimido?
Vejamos algumas ameaças reais que podem afetar a terceira idade:
Doenças físicas e psíquicas, em especial a depressão. Esta pode ser difícil de ser reconhecida, e precisa ser tratada com medicamentos.
Dificuldades financeiras, que incluem benefícios previdenciários não muito benéficos, e que por sinal estão na ordem do dia, em ampla discussão, mas sem uma boa solução. E, pesando ainda mais, gastos com tratamentos, remédios, e até mesmo a divisão dos seus já parcos recursos com familiares, incluindo filhos adultos que ainda não se lançaram no mundo por falta de emprego, dentre outros motivos.
A exclusão social. Na nossa sociedade, belo é o jovem e ponto final. Mesmo que o belo jovem de plantão de hoje seja rapidamente esquecido e substituído, amanhã mesmo, por um mais belo ainda que um empresário descobriu e a mídia lançou e que passa a ser o padrão a ser imitado a qualquer custo. E que custo!
A exclusão familiar. No nosso modelo familiar ocidental, a opinião do idoso, seus anos de experiência, não contam. Num contexto globalizado de mudanças rapidíssimas, como é que ele vai saber opinar alguma coisa? Mas e a sua bagagem de vida, do “ já vi este filme antes”, não conta?
Espera aí. Tudo isto aí acima, pode acontecer, se já não aconteceu, com qualquer um de nós. Os que ainda não são, serão os idosos da vez. E ainda achando bom, pois envelhecer não é afinal o preço que é pago para continuar vivo?
O Brasil, país de jovens, caminha rapidamente para ter em poucas décadas uma das maiores populações de idosos do mundo.
Então, este desafio é para todos nós, idosos de hoje ou de amanhã. Para que a chamada terceira idade seja realmente chamada de a melhor idade.
E para que seja contrariado o ditado italiano.
E que possamos ouvir, cada vez mais: “La vecchiaia è bella!”
(Obs.: Extraído do artigo de mesmo nome publicado pelo autor no jornal Estado de Minas, em 17 de janeiro de 2003.)
Vários termos usados hoje em dia, tanto na linguagem coloquial quanto na linguagem estritamente médica, possuem raízes que nem imaginávamos.
Assim, o termo “influenza”, por exemplo, tem origem italiana.
Antes da descoberta dos micróbios, e porque a gripe ocorria mais no inverno, achava-se que esta era devida à “influência do frio”, ou “influenza di fredo”, que os americanos, mais práticos, simplificaram para “flu”.
A palavra malária também tem origem italiana pois se acreditava que sua causa eram os maus ares, ou “mala aria” dos pântanos, que obviamente tinham, além do tal cheiro ruim, os mosquitos, estes sim os reais vilões e vetores da doença.
A origem dos termos que designam nossos estados de ânimo é particularmente curiosa.
Há alguns milhares de anos, a medicina grega imaginava que, para haver boa saúde, deveria haver o perfeito equilíbrio de quatro fluidos, ou humores (do latim humore: líquido) que (pelo menos eles achavam) o corpo humano produziria: o sangue, a fleuma, a bile amarela e a bile negra.
É a chamada doutrina humoral, preconizada deste os tempos de Hipócrates.
Acreditava-se também que havia a correspondência destes quatro humores com os quatro elementos básicos que constituiriam toda a vida no planeta: a água, a terra, o fogo e o ar.
Assim, o sangue corresponderia ao ar. A fleuma, ou o muco, ou mucosidade, à água. Já a bile amarela teria correspondência com o fogo, e a bile negra (não se sabe ao certo qual secreção seria esta) estaria relacionada à terra.
Uma mistura adequada e perfeitamente equilibrada destes fluidos era a responsável pela saúde do corpo e da mente; o desequilíbrio levava à doença.
Cláudio Galeno, médico grego que clinicava em Roma, (era chique entre os romanos abastados se consultarem com um médico grego) transmitiu estes e outros conceitos que, com seus erros e acertos, influenciaram por séculos as noções que se tinha sobre a saúde e os estados de ânimo.
Alguns tipos de pessoas foram rotulados a partir daí, segundo certas características que apresentassem.
O indivíduo agitado, destes que não param quietos, teria maior produção de sangue, e era chamado de “sanguíneo”.
No outro extremo, o sujeito muito calmo, destes devagar-quase-parando, estava produzindo muita fleuma: o “fleumático”.
O muito nervoso, por sua vez, o estopim curto, era um grande produtor de bile amarela. Como cholé em grego é bile (substância que ainda hoje se diz popularmente que é produzida em excesso nos ataques de raiva), este era o sujeito “colérico”.
E finalmente o deprimido, sempre de farol baixo, era pródigo em fabricar a tal bile negra. Como negro em grego é melano, e cholé como já foi dito é bile, então juntando-se as duas palavras encontramos o rótulo para tais indivíduos: os “melancólicos”.
Os biliosos, que produziam muita bile, seja de que cor fosse, estavam mergulhados em fluidos, ou humores maus. Ou seja, estavam de mau humor.
Conclui-se então que a pessoa de bom humor não tinha excesso destes fluidos prejudiciais; e que o humorista deveria ser o sujeito que, ao nos deixar “bem humorados”, estaria restabelecendo o equilíbrio de nossos fluidos internos.
Voltando à Medicina moderna, cada vez mais se reconhece que estes “transtornos de humor” estão hoje na ordem do dia, e implicam no diagnóstico de um conjunto de patologias que incluem a agressividade e a depressão, reconhecidas como causa de doenças, em especial as do coração, como infartos e morte súbita.
Imagem: Freepik (Premium)
Os “estados de humor” não afetam apenas o coração-símbolo, sede dos
sentimentos e das emoções, mas também o coração físico, e em última análise,
o corpo (e a alma).
” O verdadeiro humor não nasce na mente, mas no coração”
Thomas Carlyle
(Obs.: Extraído do artigo “A Bile e a Cólera” publicado pelo autor no jornal Estado de Minas, em 15 de maio de 2000.)
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