As autoridades de saúde dos Estados Unidos publicam a cada 5 anos uma imagem em forma de pirâmide resumindo o que deveria ser uma alimentação saudável para os seus cidadãos. Neste formato de pirâmide é implícito que a base é composta por aqueles alimentos que deveriam constar em maior quantidade; vai subindo até que no pico da pirâmide são aqueles que devem ser consumidos em menor quantidade, e mesmo assim eventualmente. Eis a pirâmide tradicional, onde se pode observar vários alimentos industrializados ou empacotados.

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Esta imagem com algumas variações vem sendo divulgada há décadas. O resultado? Deu tudo errado! O percentual de obesos, (em especial crianças e adolescentes) tem aumentado cada vez mais, bem como diabéticos e quetais. Porque?
Bem, chegou-se à conclusão de que ao se recomendar carboidratos como uma grande parte das fontes de caloria da alimentação, os americanos estavam preferindo carboidratos refinados, em boa parte industrializados, já prontos para comer. Em especial os ultraprocessados. Assim, se você compra um pão de forma ou bolo pronto ou um achocolatado, verá no rótulo uma ou duas dúzias de componentes, a maioria de nomes escabrosos. Quanto mais itens um rótulo tiver, mais processado será. Parece que esses carboidratos refinados industrializados são a fonte da má saúde dos americanos. Uma dieta essencialmente “engordativa” . É comum que brasileiros ao passarem uma temporada de férias ou estudos por lá voltem em média uns 5 kg mais gordinhos
Para compensar o que estava dando errado, inverteram a pirâmide, restringiram os carboidratos e liberaram as proteínas como fonte de calorias .

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A nova pirâmide : Pelo menos aqui aparece com mais evidência o que é chamada comida de verdade (real food) e menos as empacotadas ou industrializadas, estimulando a comida em seu estado natural ou minimamente processada. Sugerem que a comida deve ser “mais descascada” e menos “desempacotada”.
Aumentou-se a recomendação de proteínas. Mas não se pode perder de vista que nas fontes de proteína animal a gordura vem junto. Então para se alcançar a nova meta de ingestão proteica de 1,2 g a 1,6g por kg de peso corpóreo por dia (antes era 0,9g) acaba-se comendo junto mais gordura saturada do que os 10% dessa gordura que eram e continuam sendo recomendados. Outra impropriedade : Chegaram ao ponto de sugerir que se cozinhe com sebo de boi ! (Eca!) A Associação Americana do Coração manifestou sua preocupação de que o estímulo de se comer mais carne e laticínios integrais, com o propósito de aumentar a ingestão de proteínas, possa levar a um excesso de gordura e sal.
Em resumo: A proposta da nova pirâmide teve virtudes e vícios.
Virtudes: Estimula eliminar ao máximo comidas industrializadas e ultraprocessadas e refrigerantes, reduzir ao máximo o açúcar, comer mais “comida de verdade”. Ah!, e manteve a recomendação já existente dos “5 por dia” entre frutas e hortaliças, de cores variadas, o que ajuda a reduzir o risco de vários tipos de câncer como intestino grosso e próstata.
Vicios: Pode haver ingestão excessiva de gorduras e sal.
Pois bem. E nós do Brasil, como ficamos nessa?
Nossa refeição tradicional básica, o pê-éfe nosso de cada dia, tem no arroz com feijão a sua principal fonte de carboidratos. Uma associação perfeita de um cereal com uma leguminosa, que se complementam em seus pontos fortes e fracos, com um resultado bem saudável. No mesmo prato um bifinho (carne vermelha magra, frango) uma salada e talvez um ovo frito. Na sobremesa um pedaço pequeno de goiabada com queijo branco ou uma fruta. No café da manhã um pãozinho com um pouco de manteiga ou queijo, café com leite e frutas naturais ou em suco. Nada de muitos refinados, nem industrializados, nem ultraprocessados, nem refrigerantes e nem sobrecarga de açúcar . No pê-éfe nosso de cada dia já seguimos há muito tempo as novas recomendações americanas, que são de “descascar mais e desembalar menos” e comer mais a “comida real”. Entendendo-se que o que eles chamam de “comida real” é o que vem da feira, e não da fábrica.
Resumo do resumo: O nosso Pê-éfe ganha com vantagem das pirâmides americanas, sendo a pirâmide atual a que mais se aproxima dele.
Viva o Pê-éfe!
