(Atualização)

Finalmente foi publicada a Diretriz Brasileira de Hipertensão, mantendo a mesma e polêmica proposta das diretrizes estrangeiras : chamar a pressão arterial (PA) de 12 por 8 de pré-hipertensão.  Com o argumento de que pessoas com esse nível de PA deveriam ter uma avaliação médica apropriada e hábitos de vida saudáveis, mesmo que não ainda não estejam indicados medicamentos.

Diante de tantas reações contrárias do público leigo e de parte da classe médica, fizemos uma análise do texto e pudemos chegar a uma visão pessoal do tema.

Sempre levando em consideração que ACIMA de uma evidência científica sólida, nada se sobrepõe. Mas que AO LADO dela, existe o bom senso em interpretá-la e aplicá-la.

 Uma importante afirmação da Diretriz  e que todos concordam é que considera-se  hipertensão arterial quando são encontrados valores iguais ou maiores que 140/90 em 2 ocasiões diferentes no consultório. Pronto.

O tratamento da hipertensão pode incluir medidas não medicamentosas (MNM) ou se essas não forem suficientes em um período de 3 meses, manter essas e associar um ou mais medicamentos.

Na prática esse prazo de 3 meses pode não ser suficiente, pois o sujeito precisa adequar toda a sua rotina pessoal, profissional e familiar a novos hábitos e horários para  exercícios, ajustar a compra e consumo de alimentos saudáveis e emagrecer, por exemplo. Isso pode envolver até a compra de novas roupas e calçados para ginástica, conseguir horários em academia, consultas com nutricionista e uso de medicação para reduzir o peso. Diante do exposto, talvez seria melhor estender o prazo para “3 a 6 meses”.

Outra afirmação da Diretriz é que a meta para todos os hipertensos tratados é ter uma pressão abaixo de 130/80 se tolerado. O que é considerado um sucesso terapêutico. Mas deve-se ter cuidado com  idosos que podem não tolerar este nível,  em especial se tiverem queda da PA quando ficam de pé, levando a tonteiras e até mesmo quedas.

Já a polêmica faixa de 120-139 e 80-89 ser classificada como “pré-hipertensão” consideramos menos problemático mudá-la para 130-139 e 80-89.

 Aí o “12 por 8”  ou 120/80 continuaria sendo normal, até 129/80.

Porquê essa nossa proposta?

Porque a própria diretriz manda fazer a estratificação de risco para todos com PA: 130/80 ou acima. E NÃO 120/80 ou acima. Aí o 12 por 8 continuaria sendo normal, até 129/80. A estratificação de risco consiste em verificar se existem condições associadas como diabete, doença cardíaca e renal, e também lesões em órgãos como coração e rins já em consequência de uma PA mais elevada.

Outro motivo para nossa posição é que o texto prescreve as MNM (medidas não medicamentosas) para todos os que classifica como pré-hipertensos e hipertensos, ou seja aqueles nas faixas de PA 120/80 ou mais. E quais seriam estas MNM?

Vejamos o quadro retirado da própria diretriz, ao qual adicionamos os devidos  comentários :

Medidas não medicamentosas (MNM)
RecomendaçãoComentários
Não fumarSem comentários
Dieta saudávelPouca gordura animal, (carnes magras, preferir carnes brancas) queijos magros, nozes, azeite de oliva e cereais e leguminosas com fibras . Saudável para todas as pessoas, independente do nível da PA
Reduzir o peso corporal se excessivoBom para todas as pessoas, inclusive hipertensos
Reduzir sal na alimentaçãoBom para todas as pessoas, inclusive hipertensos
Aumentar potássio na alimentaçãoComendo mais frutas e hortaliças. Bom para todos
Reduzir bebidas alcoólicas se em excessoBom para todos
Atividade física moderada e regularBom para todos
Práticas de espiritualidade e controle do stressBom para todos

Então se uma pessoa vai a um clínico ou cardiologista para uma consulta e é encontrada PA 12×8 ela não receberá  nenhuma receita de medicamentos, mas sim estas recomendações aí do quadro.

Mas e se esta mesma pessoa tiver a PA 11×7 ou 10×6?

Vai receber essas mesmas recomendações!  Que de fato  pertencem ao contexto de hábitos saudáveis de vida, independente do nível da PA. 

Então não muda nada a conduta nos pacientes, até PA chegar em 13×8 ou acima. Aí é feita a estratificação de risco e aqueles com risco aumentado devido a comorbidades associadas (cardíacos, diabéticos, ou com disfunção renal, por exemplo) serão acompanhados de forma mais frequente, e se indicado começarão a tomar medicamentos. Levando-se ainda em consideração que os que tiverem essas condições citadas poderão receber remédios para elas que por si só abaixam a PA.

Conclusão: A PA 12 por 8 é normal?   SIM!