P.: Qual a dose de energéticos considerada segura?
R.: Cada latinha de 250 ml dos energéticos mais conhecidos no mercado tem 80 mg de cafeína, que é o principal componente da fórmula. Em comparação, cada xícara pequena do tradicional cafezinho tem aprox.: 50 mg de cafeína. A recomendação médica é de que não se ultrapasse 150mg de cafeína por dia, o que dá 3 cafezinhos (50mg x3) ou 2 latinhas de energético (80mgx2) Essa quantidade costuma ser apropriada para as pessoas saudáveis ou sem problemas sérios de saúde
P.: E a mistura com álcool?
R.: Em excesso, ambos se potencializam no seu efeito de provocar arritmias e aumento da pressão arterial. Também ambos tem efeito diurético, e podem causar desidratação. Sempre que usá-los, beber bastante água. Uma dica é a cor da urina: se estiver cor de água ou amarelo palha: hidratação ok. Se estiver mais escura: beber água.
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P.: Quem não pode tomar energéticos?
R.: Pessoas com arritmias cardíacas, pressão alta sem controle adequado e as que já tiveram problemas cardíacos como infarto
P.: Como se sabe se houve excesso ?
R.: Ansiedade, insônia, tremores, dor no peito, palpitações e dor de cabeça podem ser indicadores. Se intensos, procurar serviço médico. Se não tanto, interromper o uso, hidratar bastante e repousar até passarem os efeitos . Lembrar que pode-se estar ingerindo cafeína de outras formas: os pré-treinos costumam ter de 100 a 200mg por cápsula!
As autoridades de saúde dos Estados Unidos publicam a cada 5 anos uma imagem em forma de pirâmide resumindo o que deveria ser uma alimentação saudável para os seus cidadãos. Neste formato de pirâmide é implícito que a base é composta por aqueles alimentos que deveriam constar em maior quantidade; vai subindo até que no pico da pirâmide são aqueles que devem ser consumidos em menor quantidade, e mesmo assim eventualmente. Eis a pirâmide tradicional, onde se pode observar vários alimentos industrializados ou empacotados.
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Esta imagem com algumas variações vem sendo divulgada há décadas. O resultado? Deu tudo errado! O percentual de obesos, (em especial crianças e adolescentes) tem aumentado cada vez mais, bem como diabéticos e quetais. Porque?
Bem, chegou-se à conclusão de que ao se recomendar carboidratos como uma grande parte das fontes de caloria da alimentação, os americanos estavam preferindo carboidratos refinados, em boa parte industrializados, já prontos para comer. Em especial os ultraprocessados. Assim, se você compra um pão de forma ou bolo pronto ou um achocolatado, verá no rótulo uma ou duas dúzias de componentes, a maioria de nomes escabrosos. Quanto mais itens um rótulo tiver, mais processado será. Parece que esses carboidratos refinados industrializados são a fonte da má saúde dos americanos. Uma dieta essencialmente “engordativa” . É comum que brasileiros ao passarem uma temporada de férias ou estudos por lá voltem em média uns 5 kg mais gordinhos
Para compensar o que estava dando errado, inverteram a pirâmide, restringiram os carboidratos e liberaram as proteínas como fonte de calorias .
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A nova pirâmide : Pelo menos aqui aparece com mais evidência o que é chamada comida de verdade (real food) e menos as empacotadas ou industrializadas, estimulando a comida em seu estado natural ou minimamente processada. Sugerem que a comida deve ser “mais descascada” e menos “desempacotada”.
Aumentou-se a recomendação de proteínas. Mas não se pode perder de vista que nas fontes de proteína animal a gordura vem junto. Então para se alcançar a nova meta de ingestão proteica de 1,2 g a 1,6g por kg de peso corpóreo por dia (antes era 0,9g) acaba-se comendo junto mais gordura saturada do que os 10% dessa gordura que eram e continuam sendo recomendados. Outra impropriedade : Chegaram ao ponto de sugerir que se cozinhe com sebo de boi ! (Eca!) A Associação Americana do Coração manifestou sua preocupação de que o estímulo de se comer mais carne e laticínios integrais, com o propósito de aumentar a ingestão de proteínas, possa levar a um excesso de gordura e sal.
Em resumo: A proposta da nova pirâmide teve virtudes e vícios.
Virtudes: Estimula eliminar ao máximo comidas industrializadas e ultraprocessadas e refrigerantes, reduzir ao máximo o açúcar, comer mais “comida de verdade”. Ah!, e manteve a recomendação já existente dos “5 por dia” entre frutas e hortaliças, de cores variadas, o que ajuda a reduzir o risco de vários tipos de câncer como intestino grosso e próstata.
Vicios: Pode haver ingestão excessiva de gorduras e sal.
Pois bem. E nós do Brasil, como ficamos nessa?
Nossa refeição tradicional básica, o pê-éfe nosso de cada dia, tem no arroz com feijão a sua principal fonte de carboidratos. Uma associação perfeita de um cereal com uma leguminosa, que se complementam em seus pontos fortes e fracos, com um resultado bem saudável. No mesmo prato um bifinho (carne vermelha magra, frango) uma salada e talvez um ovo frito. Na sobremesa um pedaço pequeno de goiabada com queijo branco ou uma fruta. No café da manhã um pãozinho com um pouco de manteiga ou queijo, café com leite e frutas naturais ou em suco. Nada de muitos refinados, nem industrializados, nem ultraprocessados, nem refrigerantes e nem sobrecarga de açúcar . No pê-éfe nosso de cada dia já seguimos há muito tempo as novas recomendações americanas, que são de “descascar mais e desembalar menos” e comer mais a “comida real”. Entendendo-se que o que eles chamam de “comida real” é o que vem da feira, e não da fábrica.
Resumo do resumo: O nosso Pê-éfe ganha com vantagem das pirâmides americanas, sendo a pirâmide atual a que mais se aproxima dele.
A aviação comercial tem suas aeronaves pressurizadas, de modo que, apesar de subirem a 10 000 e até 13 000 metros , a pressão do ar na cabine de passageiros é mantida artificialmente como se o avião estivesse numa altitude de 1500 a 2400 metros. Nessa “altura artificial”, há 25% menos oxigênio que ao nível do mar. A maioria dos pacientes cardíacos não têm problemas em respirar o ar com esta concentração. Exceção é feita para aqueles com doenças cardíacas cianóticas (em que a pele fica azulada; geralmente doenças cardíacas congênitas), os com doenças pulmonares graves, como enfisema avançado, ou insuficiência cardíaca grave ou angina grave. Mesmo assim os aviões normalmente têm uma reserva de oxigênio com máscara para ser usada em possíveis emergências, como situações agudas de falta de ar.
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Cuidados em viagens de avião:
Sair bem cedo em relação ao horário de embarque, pois os aeroportos costumam ter longas distâncias a serem percorridas a pé, o que não deve ser feito na forma de “correria”, por cardíacos. Outro motivo para sair mais cedo é evitar ansiedade com relação a trânsito e horários, igualmente indesejável.
Cardíacos idosos e casos mais severos podem (e devem) utilizar cadeiras de rodas, disponíveis em aeroportos, e de uso comum no exterior, mas ainda pouco requisitadas no nosso país.
Carregar apenas a bagagem de mão, deixando as malas para familiares ou carregadores. Malas com rodinhas podem ajudar.
Mesmo apenas colocar e retirar malas pesadas dos carrinhos e balcões de aeroportos, para o “check-in”, pode ser um problema para cardíacos.
Levar na bagagem de mão a medicação cujos horários coincidirem com o período de voo. É comum os pacientes levarem os remédios, mas lembrarem na hora de tomá-los que estão “na mala grande”, que por sinal está no compartimento de bagagem do avião, e portanto inacessíveis após despachadas.
Em viagens ao exterior, calcular e levar (com alguma folga) os remédios de uso contínuo suficientes para todos os dias. Em muitos países não se compra a maioria dos medicamentos sem receita médica; pode acontecer também que o remédio esteja em falta, ou simplesmente não exista no país.
Quanto às mudanças de fuso horário sugere-se o seguinte: Se a permanência no destino for curta, tipo uma ou 2 semanas e no máximo um mês, o melhor a fazer é manter os mesmos horários que se tomava regularmente como se estivesse no país de origem. Desta forma não haverá necessidade de readaptar horários ao retornar. Se a permanência for mais longa, maior que um mês, aí vai se “chegando aos poucos” para o horário do local de destino, mas tendo que fazer a readaptação no retorno pra casa.
Alguns casos mais graves podem requerer que uma ambulância se posicione ao lado da fuselagem do avião (em aviões de menor porte) para o embarque e desembarque, para evitar grandes percursos. Em aviões maiores, que usam plataformas de embarque, este é feito, como já citado, com o paciente numa cadeira de rodas. Às vezes, pode ser necessária a presença de um médico durante a viagem, ou a utilização de “ambulâncias aéreas”.
Há casos (especialmente após uma alta hospitalar), em que a companhia aérea pode requerer um atestado médico, liberando o paciente para a viagem, e até mesmo pedindo-o para assinar um termo de consentimento. Existem 2 formulários básicos: o MEDIF (Medical Information) válido para uso uma única vez, em uma situação médica nova, recente. E o FREMEC (Frequent Traveller´s Medical Clearance) para pessoas com condições crônicas e estáveis, que viajam com certa frequência e podem necessitar de alguma assistência especial. A validade é de 6 a 12 meses.
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Pessoas gravemente enfermas deveriam evitar viagens, a menos que estritamente necessário.
Casos com boa evolução de infartos e cirurgias de pontes de safena podem em princípio viajar, cerca de 10 a 15 dias após o evento, se liberados pelo médico e tomadas as precauções necessárias.
As companhias aéreas já equipam seus aviões com desfibriladores automáticos, que podem ser usados com segurança pelo pessoal de bordo, em casos de ataques cardíacos em pleno voo.
Ficar muito tempo assentado, num ambiente de baixa pressão, leva a dificuldades circulatórias e a inchação. Se o voo é prolongado, cardíacos devem andar algumas vezes pelo corredor da aeronave ( andar um pouco a cada duas ou três horas; para isso é melhor escolher um assento no corredor do que na janela) para ativar a circulação nas pernas, e reduzir inchaço e risco de coágulos nas veias (tromboses e flebites). Flexionar e estender os tornozelos e pés (exercícios de panturrilha) 10 vezes em cada perna também estimula a circulação. Tomar água em grande quantidade, pois a desidratação aumenta a viscosidade do sangue,
Fatores gerais que elevam o risco de trombose venosa e embolia pulmonar tem a ver com a duração do voo (acima de 4 a 6 horas), a posição ou inatividade das pernas, hipóxia ou baixa de oxigênio relativa (correspondendo a uma altitude “simulada” de 1500 a 2400 metros) e desidratação por baixa umidade na cabine ( das bebidas servidas no avião, preferir sucos e água e evitar bebidas alcoólicas e bebidas tipo cola, café e chá, que induzem diurese).
Fatores individuais incluem idade (>60 anos), uso por mulheres de pílulas anticoncepcionais e hormônios para a menopausa, obesidade (IMC > 30 kg/m²), gravidez e pós parto até 3 meses, cirurgias recentes (até 4 semanas) , câncer ativo nos últimos 6 meses ou recente tratamento de câncer, roupas muito apertadas, imobilidade (ex.: perna gessada), varizes, história pregressa de trombose venosa ou embolia pulmonar e insuficiência cardíaca e outras situações específicas, como trombofilias. Nestes casos pode haver beneficio do uso durante o voo de meias elásticas de compressão abaixo do joelho, com uma pressão de 15 a 30 mmHg no tornozelo .
Alguns passageiros de maior risco podem se beneficiar, a critério de seu médico assistente, de anticoagulantes injetáveis aplicados antes do voo, sendo que mais recentemente também tem sido usados os anticoagulantes orais mais modernos. Apesar de ainda não haverem estudos específicos destes comprimidos no caso de viagens de avião, tudo indica que serão úteis ( e já estão sendo utilizados “off-label”) , pois exatamente nos voos mais longos (os internacionais) os passageiros, no prazo recomendado de 2 a 4 horas para tomar a medicação injetável, já terão que estar a caminho do aeroporto, dificultando a sua aplicação. Tendo o comprimido, o próprio viajante o tomará no aeroporto, 2 horas a 4 horas antes do voo, o que já é suficiente para atingir pleno efeito anticoagulante. Mas sempre sob indicação médica.
Aspirina não tem nenhuma utilidade nessas situações.
Sinais e sintomas que podem requerer auxílio médico: Trombose pode ser suspeitada se aparecer dor e inchação súbita em uma das pernas, em especial na panturrilha, às vezes com vermelhidão da pele e calor local. Embolia pulmonar: súbita falta de ar, palpitações, dor no peito e tosse às vezes com sangue. Em qualquer dessas situações procurar atenção médica imediata.
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Viagens por via terrestre
De carro: A cada 200 km, ou a cada 3 horas de viagem, fazer uma parada para caminhar um pouco e movimentar as pernas.
Se sozinho no banco de trás, sentar de lado e colocar as pernas sobre o banco, na horizontal.
De ônibus: Andar nos locais de parada .
De trem: Como no caso do avião, caminhar algumas vezes pelos corredores, para ativar a circulação das pernas.
Viagens a montanhas em grandes altitudes
No nosso país, este geralmente não é um problema. No exterior, locais acima de 2000 a 3000 metros não são raros. A Cidade doMéxico está a 2240 metros, e La Paz, capital da Bolívia, a 3600 metros.
Em viagens a lugares montanhosos acima de 1500 metros, os portadores de angina e insuficiência cardíaca, mesmo compensada, que não estejam habituados a tais altitudes, devem limitar sua atividade física, para reduzir o consumo de oxigênio, e devem evitar sair no frio intenso. Por “habituados” entende-se os moradores destes locais, cujo organismo teve longo período para se aclimatar ao ar rarefeito.
Elevações discretas da PA e da frequência cardíaca são comuns, e acontecem principalmente nos primeiros dias. Um período inicial de adaptação de 3 noites a no máximo 2000 a 2200 metros, pode ajudar antes de se encarar altitudes maiores.
Essa adaptação pode ser acelerada com o uso do diurético acetazolamida (Diamox) iniciado na manhã do dia anterior à subida maior e mantido até começar a descida. O seu efeito favorável é através do estímulo à ventilação e do aumento da oxigenação. A dose usual é de meio a um comprimido de 250 mg pela manhã e à noite, mas o médico deverá ser consultado quanto ao seu uso.
Uma boa hidratação ajuda a minimizar os problemas de se respirar um ar mais frio e seco.
Calor, umidade e Frio
Calor e Umidade
Pacientes cardíacos têm uma tolerância ao calor bem menor que a dos não cardíacos, e podem ter sua situação piorada em ambientes muito quentes (acima de 30 graus) e úmidos (acima de 75 a 80%), inclusive saunas.
Hipertensos em uso de vasodilatadores e diuréticos podem ter uma queda da pressão.
Há um aumento do trabalho cardíaco, aceleração dos batimentos e uma dilatação acentuada dos vasos, além de perda de líquidos e potássio com o suor.
Exercício e uso de bebidas alcoólicas acentuam ainda mais estas alterações. Mesmo pessoas não cardíacas podem ter respostas exageradas ao calor, se fizerem exercício vigoroso em ambientes muito quentes.
Frio
Ao contrário do calor, uma exposição ao frio intenso (ex.: sair de casa sem agasalho em dias muito frios), pode levar a constrição dos vasos e aumento da pressão arterial.
Umidade e vento acentuam os efeitos do frio. Pessoas com problemas coronários podem ter crises de angina. Hipertensos podem ter crises de pressão elevada.
Idosos são particularmente susceptíveis.
No inverno, uma combinação perigosa para cardíacos e hipertensos é se expor ao tempo carregando uma mala pesada, ou “ir lá fora” para buscar as compras ou levar o lixo.
Mergulho
O ambiente subaquático impõe um enorme desafio adaptativo ao organismo. Há a necessidade de completo equilíbrio emocional e total integridade do coração e sistema respiratório, incluindo vias aéreas superiores, e também dos ouvidos.
Pessoas aparentemente sadias devem passar por um exame médico rigoroso, antes de iniciar cursos de mergulho.
Existem formulários apropriados, fornecidos por associações internacionais da área.
Cardíacos não devem se aventurar em tais atividades. Arritmias, oscilações de pressão e perda da consciência são um risco. Hipertensos não cardíacos devem ser avaliados caso a caso.
A Comissão de prevenção e tratamento da demência da prestigiosa revista cientifica Lancet diz que sim, em até 45% dos casos! E publicou uma lista das medidas que podemos tomar ao longo da vida para que se alcance esse objetivo. Essa lista de 2024 acrescentou dois novos itens (LDL colesterol alto e deficiência visual) aos 12 itens da lista prévia de 2020. Perfazendo então 14 providências possíveis de serem implementadas para prevenir ou minimizar a demência.
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Vamos ver quais são, e qual o peso percentual de cada uma delas no total de todas as condições preveníveis :
Educação. Isto mesmo, ir pra escola ou mesmo educação informal, em qualquer idade, mas de preferência desde cedo na vida. Exercícios cognitivos na terceira idade. (5%)
Perda auditiva. É de se esperar que reduza a interação com outras pessoas e o mundo em geral. Aparelhos auditivos podem ser de grande ajuda (7%)
LDL colesterol elevado. Foi introduzido agora como fator de risco importante para demência. E dos que tem um dos maiores pesos percentuais . (7%)
Depressão. Já velha conhecida. Tratá-la efetivamente. (3%)
Lesão cerebral traumática. Seja por acidentes ou esportes com pancadas repetidas na cabeça (3%)
Sedentarismo. Inatividade física. (2%)
Diabetes, de qualquer tipo (2%)
Tabagismo. Sem comentários. (2%)
Hipertensão arterial. Manter a pressão arterial sistólica 130 ou menos (2%)
Obesidade. Iniciar seu controle o mais cedo possível na vida (1%)
Bebidas alcoólicas em excesso (1%)
Isolamento social. Tem peso importante. Buscar participação em atividades coletivas (5%)
Poluição atmosférica (3%)
Deficiência visual corrigível. Também um novo fator recém introduzido em 2024. Inclui cirurgia de catarata e a simples prescrição de óculos. (2%)
No total 45% de todas as demências teriam causas potencialmente preveníveis. É de se esperar que o controle desses fatores listados também seja importante para a saúde como um todo, mas a comissão focou apenas na demência, sem considerar outras doenças.
Como as pessoas estão vivendo por mais tempo, elas ficarão por mais tempo expostas a estes fatores descritos.
Esse estudo se refere a demência de um modo geral, não especificando apenas Alzheimer, demência vascular e vários outros tipos.
Cada um desses fatores pode ter mais de um mecanismo que contribui para a demência. Muitos dessas providências podem ser tomadas em casa e também com ajuda de profissionais de saúde. Nenhuma delas demanda num primeiro momento exames e tratamentos muito complicados. E podem ser abordadas em qualquer idade, nas várias fases da vida.
Conclusão: Esses 14 itens são possíveis de serem identificados e controlados ou melhorados.
Então: Mãos à obra! Identificar e controlar estes vilões em nossos familiares e em nós mesmos!
Fonte: Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission
PS: Sim, aqui vale um PS. Ao mesmo tempo em que foi publicado na Inglaterra o extenso parecer acima (são 57 páginas no original) , nos Estados Unidos saiu o resultado de um longo estudo sobre alimentação e saúde feito na Universidade de Harvard . Mais de 130 000 profissionais de saúde (sim, esses são mais fáceis de seguir num estudo de longo prazo) foram acompanhados durante 40 anos, quanto ao consumo de 150 tipos de alimentos, um deles a chamada carne vermelha processada, assim classificada: bacon, salame, mortadela, salsicha e similares. Foi feita a comparação com os que comiam carne vermelha NÃO processada: bovina, suína, cordeiro e hambúrgueres. Nenhum deles tinha qualquer sinal de demência ao iniciar o estudo. O grupo que consumia a carne vermelha processada teve uma chance 13% maior de desenvolver demência !
É cada vez mais evidente a necessidade de atendimento hospitalar o mais rápido possível no caso de uma forte dor no peito que tenha chance de ser um infarto. Este ocorre quando uma das artérias do coração (as coronárias ) se oclui agudamente. Quanto mais rápido ela for desobstruída através de medicação ou melhor ainda por angioplastia, menos miocárdio (que é o músculo do coração) será perdido.
Nesse caso acionar uma ambulância por telefone (seja SAMU ou de planos de saúde) é a medida correta. Ou na impossibilidade, correr para um hospital.
Mas e enquanto o socorro não chega, o que podemos fazer ? Há uma providência quase esquecida pela maioria e que é igualmente importante: mastigar e engolir 3 comprimidos de aspirina infantil! Dessas de 100mg por comprimido. Pode parecer pouca coisa mas não é. Um estudo estatístico mostrou que esses 300mg de aspirina tomados nas primeiras 4 horas do início da dor salvaria da morte mais de 13 000 americanos por ano. Apesar dessa recomendação existir desde 2007, observou-se que menos da metade dos profissionais socorristas o fazem. Então surgiu uma nova sugestão, baseada neste estudo recente. Que a pessoa não espere a ambulância chegar, mas ela mesma tome essa dose de 300 mg. E mesmo dentro dessas 4 horas, quanto mais cedo melhor.
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Podem haver alguns senões, como pessoas que fazem uso de anticoagulantes ou que tenham alergia a aspirina ou úlcera ativa. Nesses casos, melhor não tomar; mas o estudo mostrou que tirando algumas exceções, a grande maioria vai se beneficiar, pois é uma única dose isolada; depois disso já deu pra chegar no hospital e conferir se está tendo um infarto. Se positivo, o benefício será grande. Caso contrário, se não for infarto, o risco de problemas de tomar essa única dose de aspirina será mínimo, como mostrou o estudo. O benefício é de uma redução de 25% de risco de morte por infarto versus 1% de risco de sangramento pela aspirina. Ou seja, um risco/benefício amplamente favorável. Como também é o custo/benefício. Quanto custa termos uma cartela de aspirina infantil em casa?
Outra questão é como saber se a dor é de um infarto. Não se espera de um leigo que faça o diagnóstico correto ele mesmo. Mas se tiver mais de 40 anos e uma dor de forte intensidade no peito, surgindo subitamente , em especial se associada a falta de ar ou suor frio, já vale a pena suspeitar de um ataque do coração e proceder ao acima exposto.
Em cardiologia, é sempre melhor errar por excesso de cuidado do que pela falta dele.
Finalmente foi publicada a Diretriz Brasileira de Hipertensão, mantendo a mesma e polêmica proposta das diretrizes estrangeiras : chamar a pressão arterial (PA) de 12 por 8 de pré-hipertensão. Com o argumento de que pessoas com esse nível de PA deveriam ter uma avaliação médica apropriada e hábitos de vida saudáveis, mesmo que não ainda não estejam indicados medicamentos.
Diante de tantas reações contrárias do público leigo e de parte da classe médica, fizemos uma análise do texto e pudemos chegar a uma visão pessoal do tema.
Sempre levando em consideração que ACIMA de uma evidência científica sólida, nada se sobrepõe. Mas que AO LADO dela, existe o bom senso em interpretá-la e aplicá-la.
Uma importante afirmação da Diretriz e que todos concordam é que considera-se hipertensão arterial quando são encontrados valores iguais ou maiores que 140/90 em 2 ocasiões diferentes no consultório. Pronto.
O tratamento da hipertensão pode incluir medidas não medicamentosas (MNM) ou se essas não forem suficientes em um período de 3 meses, manter essas e associar um ou mais medicamentos.
Na prática esse prazo de 3 meses pode não ser suficiente, pois o sujeito precisa adequar toda a sua rotina pessoal, profissional e familiar a novos hábitos e horários para exercícios, ajustar a compra e consumo de alimentos saudáveis e emagrecer, por exemplo. Isso pode envolver até a compra de novas roupas e calçados para ginástica, conseguir horários em academia, consultas com nutricionista e uso de medicação para reduzir o peso. Diante do exposto, talvez seria melhor estender o prazo para “3 a 6 meses”.
Outra afirmação da Diretriz é que a meta para todos os hipertensos tratados é ter uma pressão abaixo de 130/80 se tolerado. O que é considerado um sucesso terapêutico. Mas deve-se ter cuidado com idosos que podem não tolerar este nível, em especial se tiverem queda da PA quando ficam de pé, levando a tonteiras e até mesmo quedas.
Já a polêmica faixa de 120-139 e 80-89 ser classificada como “pré-hipertensão” consideramos menos problemático mudá-la para 130-139 e 80-89.
Aí o “12 por 8” ou 120/80 continuaria sendo normal, até 129/80.
Porquê essa nossa proposta?
Porque a própria diretriz manda fazer a estratificação de risco para todos com PA: 130/80 ou acima. E NÃO 120/80 ou acima. Aí o 12 por 8 continuaria sendo normal, até 129/80. A estratificação de risco consiste em verificar se existem condições associadas como diabete, doença cardíaca e renal, e também lesões em órgãos como coração e rins já em consequência de uma PA mais elevada.
Outro motivo para nossa posição é que o texto prescreve as MNM (medidas não medicamentosas) para todos os que classifica como pré-hipertensos e hipertensos, ou seja aqueles nas faixas de PA 120/80 ou mais. E quais seriam estas MNM?
Vejamos o quadro retirado da própria diretriz, ao qual adicionamos os devidos comentários :
Medidas não medicamentosas (MNM)
Recomendação
Comentários
Não fumar
Sem comentários
Dieta saudável
Pouca gordura animal, (carnes magras, preferir carnes brancas) queijos magros, nozes, azeite de oliva e cereais e leguminosas com fibras . Saudável para todas as pessoas, independente do nível da PA
Reduzir o peso corporal se excessivo
Bom para todas as pessoas, inclusive hipertensos
Reduzir sal na alimentação
Bom para todas as pessoas, inclusive hipertensos
Aumentar potássio na alimentação
Comendo mais frutas e hortaliças. Bom para todos
Reduzir bebidas alcoólicas se em excesso
Bom para todos
Atividade física moderada e regular
Bom para todos
Práticas de espiritualidade e controle do stress
Bom para todos
Então se uma pessoa vai a um clínico ou cardiologista para uma consulta e é encontrada PA 12×8 ela não receberá nenhuma receita de medicamentos, mas sim estas recomendações aí do quadro.
Mas e se esta mesma pessoa tiver a PA 11×7 ou 10×6?
Vai receber essas mesmas recomendações! Que de fato pertencem ao contexto de hábitos saudáveis de vida, independente do nível da PA.
Então não muda nada a conduta nos pacientes, até PA chegar em 13×8 ou acima. Aí é feita a estratificação de risco e aqueles com risco aumentado devido a comorbidades associadas (cardíacos, diabéticos, ou com disfunção renal, por exemplo) serão acompanhados de forma mais frequente, e se indicado começarão a tomar medicamentos. Levando-se ainda em consideração que os que tiverem essas condições citadas poderão receber remédios para elas que por si só abaixam a PA.
Ter um desses aparelhos para medir a PA em casa já foi um grande problema. Não eram nada confiáveis, cada medida um valor muito diferente… enfim geravam mais problemas do que solução.
Mas houve uma evolução favorável nesses dispositivos, e atualmente, o seu uso regular em casa, desde que com as técnicas apropriadas de medição, passou a ser útil no controle auxiliar da hipertensão. Outra utilidade deles é que a medida da PA desacompanhada do médico poderia minimizar o “efeito do avental branco”.
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Mas algumas regras devem ser seguidas:
Essas medições podem ser um auxiliar valioso no tratamento. Mas NUNCA se deve mudar os remédios por conta própria se achar valores muito altos ou baixos; comunicar ao médico, que conferirá as medidas e fará os ajustes necessários.
Comprar um aparelho de boa marca (ex.: OMRON HEM 7122) ou similar. O preço melhorou muito, são facilmente encontrados em drogarias e não compensa mais pedir alguém para trazê-los do exterior.
Dar preferência aos de braço. Alguns de pulso podem ser confiáveis (ex: OMRON HEM 6181) desde que usados corretamente. Podem ser úteis nos indivíduos muito gordos em que o manguito não consegue “abraçar o braço” o suficiente para uma insuflação adequada.
Antes de usá-los rotineiramente, trazer ao consultório do médico para checar se a medição está correta, e comparar com o aparelho do médico, estabelecendo uma margem aceitável
Um dispositivo desses em casa, quando chega, é uma festa! Todo mundo quer medir… Cuidado para não danificá-los, e obviamente não confiar na memória das medidas anteriores do aparelho (podem guardar as últimas 20 a 60 medidas) pois se outros também usarem não teremos uma evolução de uma só pessoa! Nesses casos melhor fazer uma planilha das suas medidas no computador ou celular, ou mesmo anotar numa folha de papel para levar ao médico na próxima consulta. Também anotar na frente da medida de PA quanto deu a freqüência cardíaca (em batimentos por minuto).
Alguns “macetes” nas medições:
Repouso por 5 minutos antes. Não chegar da rua e ir logo medindo.
Preferir um ambiente calmo e sem barulho. Melhor sozinho ou com o mínimo de pessoas possível no entorno. A expectativa dos circunstantes e os palpites não ajudam. Não conversar durante a medição.
Evitar o desconforto de uma bexiga cheia, e evitar refeições pesadas, café, cigarro e bebidas alcoólicas pelo menos 30 minutos antes, e exercícios 90 minutos antes.
Não ficar medindo toda hora! Senão o que seria uma ajuda em casa vai se tornar um problema em si. Siga as orientações do médico. No inicio do tratamento, e até que a PA esteja controlada, pode ser necessário medir diariamente. Um bom esquema é medir por 30 dias na mesa de café da manhã (uma medida diária) ou também à noite (duas medidas). Aí levar ao médico. Fora desses horários, só medir em algum momento “extra” se tiver algum sintoma, por exemplo. Com o evoluir do tratamento, e quando se atingiu as doses adequadas para um bom controle, uma medida por semana pode ser suficiente.
Assentar-se numa cadeira firme e confortável, bem próxima a uma mesa, com as pernas descruzadas e os pés apoiados no chão, o dorso relaxado e recostado na cadeira
Se o aparelho for de braço, apoiar o antebraço na mesa, todo ele na horizontal. Se for de pulso, apoiar o cotovelo na mesa e posicionar o antebraço a 45º, para ficar na altura do coração. Em ambas as situações, sempre com a mão aberta e a palma voltada para cima. Melhor colocar o manguito sobre o braço nu, sem mangas meio arregaçadas e apertando ou garroteando o braço
Os aparelhos eletrônicos costumam vir com uma imagem autoexplicativa de como colocar o manguito. O erro mais comum é colocar o sensor ao contrário, ou mesmo atrás do braço. O lugar deste é sobre a artéria braquial. Ver a imagem que é impressa no manguito.
O manguito de adulto é suficiente para a maioria das pessoas adultas, sem precisar de ajustes ou adequações. O manguito de tecido tem por dentro uma bolsa inflável, que é a que vai comprimir a artéria. Os aparelhos para os adultos de tamanho médio têm essa bolsa com 12 a 15 cm de largura, e comprimento que pode variar de 22 cm a 42 cm.
Pode acontecer de alguns braços serem muito finos, outros muito grossos. Para estes casos extremos, observar que a largura da bolsa inflável deve corresponder a 37-50% da circunferência do braço (medir com uma fita métrica o contorno do braço, a meia distância entre o ombro e o cotovelo).
Já o comprimento dessa bolsa deve envolver toda a circunferência (dar a volta no braço) ou pelo menos 75% dela.
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Pessoas muito obesas podem ter o braço muito calibroso (circunferência do braço acima de 42 cm) e às vezes o manguito não se mantém fechado na insuflação. Aí temos duas opções: ou adquirir um manguito especial com medidas maiores, ou (o mais prático) usar um aparelho de pressão dos de pulso.
Arritmias cardíacas como extrassístoles freqüentes e fibrilação atrial podem tornar a medida da PA e freqüência cardíaca menos precisas nos aparelhos eletrônicos.
Se for repetir a medição no mesmo braço, desinsuflar o manguito e aguardar pelo menos um minuto para o sangue voltar a circular normalmente . Também ajuda nesse momento abrir e fechar a mão algumas vezes.
Idosos, principalmente idosos frágeis, podem ter hipotensão ortostática ou postural, que é a queda da pressão sistólica (ou máxima) de 20mmHg ou mais, quando a PA é medida na posição de pé, em relação ao valor medido sentado. Também quando medir de pé colocar o braço na horizontal, ao nível do coração. Pode não se ter sintomas, ou então apresentar tonteiras ao levantar-se. Em ambas as situações comunicar ao médico. Neste caso, nos idosos, deve ser considerada como alvo a PA de pé, mesmo que a PA sentado fique um pouquinho mais alta (ex.: PA sistólica de 14 ou 15) (melhor do que ter o risco de quedas pela baixa de pressão ao levantar-se). Também considerar que os remédios que estavam controlando bem a PA por um longo tempo podem de repente se tornarem excessivos, em especial com o avançar da idade. Também pode ocorrer hipotensão postural se ocorrer redução de 5% a 10% do peso corpóreo, desidratação, calor intenso, e associação com outros medicamentos como antidepressivos tricíclicos, dentre outros.
Sim, melhora, e muito! Principalmente o exercício aeróbico. Os efeitos são tanto imediatos quanto de longo prazo, incluindo o humor e o grau de atenção (foco), melhorando também a depressão e o risco de demência.
Assim, o exercício:
Tem efeitos imediatos, pelo aumento dos neurotransmissores: dopamina, serotonina e noradrenalina. Após um único treino, o grau de atenção e o tempo de reação (reflexos) e o humor melhoram por pelo menos 2 horas. Treinos repetidos e rotineiros aumentam esses neurotransmissores de forma mais duradoura.
Tem efeitos de longo prazo. Como? Melhorando a fisiologia, a função e até certo ponto até mesmo a anatomia do cérebro. Sim, pode aumentar o número de células no hipocampo e seu tamanho total, melhorando a memória de longo prazo.
Melhora do humor e da memória, mais energia e atenção.
As áreas do cérebro mais beneficiadas pelo exercício físico são duas: a córtex pré-frontal (logo atrás da testa), essencial para a tomada de decisões, o nível de atenção e a personalidade. E os lobos temporais (um de cada lado) e anexo a estes, mais profundamente e de cada lado, o hipocampo onde ocorrem a formação e retenção de fatos e acontecimentos. Aqui, ocorrências que duram apenas segundos ou minutos, mas que são significativas (ex.: o primeiro beijo, o momento do nascimento de um filho) são guardadas para a vida inteira.
Se considerarmos que a córtex pré frontal e o hipocampo tem sua função favorecida com o exercício regular, e também que essas duas áreas são as mais susceptíveis às doenças neurodegenerativas e ao declínio cognitivo do envelhecimento, podemos conjecturar que com o exercício teremos uma córtex pré frontal e um hipocampo mais protegidos ou “fortalecidos” e aí podendo-se supor que as citadas doenças ocorram de forma mais branda ou mais tardiamente.
Até mesmo após um acidente vascular cerebral, seja isquêmico ou hemorrágico, ficou demonstrado que o exercício melhora a cognição (que é a capacidade de memória, atenção e execução de funções) de um nível de acometimento leve a moderado para um nível quase normal, após seis meses de treinamento. Ou seja, a fisioterapia pós AVC, tradicionalmente feita para melhorar déficits motores, também pode ser feita com a expectativa de melhora cognitiva.
Imagem: Freepik
Qual o melhor tipo de exercício para ter efeito na proteção cerebral? São principalmente os aeróbicos, como caminhadas que levem a algum grau de cansaço, de 3 a 4 x por semana por meia hora. Isolados ou associados a exercícios resistivos como musculação. Já é um bom começo.
A cardiologia preventiva, sempre em evolução, tem buscado identificar nas pessoas que tiveram eventos cardíacos precoces (abaixo de 55 anos) ou superprecoces (abaixo de 40 anos) o que elas tinham de fatores de risco, que poderiam contribuir ou facilitar para o surgimento desses eventos.
Os 7 supervilões passiveis de modificação já são nossos conhecidos, e continuam sendo os principais:
Colesterol alto no sangue
Tabagismo
Pressão alta
Diabete
Sedentarismo
Obesidade
Stress
Existem também alguns fatores não modificáveis, como a idade e o histórico familiar. Mas já foi demonstrado que se fizermos uma intervenção caprichada nos 7 supervilões, haverá uma devida compensação e atenuação desses não modificáveis .
Por outro lado, pode acontecer de algumas pessoas terem os tais eventos cardíacos precoces sem nenhum dos fatores de risco já citados acima.
Então a ciência tem procurado analisar de forma aprofundada esses casos, fazendo estudos estatísticos e de observação, tentando identificar “novos “ fatores que poderiam estar associados ou mesmo terem um nexo causal, predispondo ou mesmo provocando diretamente eventos cardiovasculares agudos. Ressalte-se que alguns dos que vamos citar são mais comprovados, outros por enquanto apenas “suspeitos”, aguardando confirmação. Outro ponto a ressaltar é que nem todos são passiveis de modificação.
Então vamos lá:
A seguir uma lista, que não pretende ser completa, dos mais prováveis “novos suspeitos” de estarem de alguma forma contribuindo ou mesmo de serem a causa principal de um infarto ou equivalente:
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Inflamação sistêmica:
Gota: Observou-se que a probabilidade de ter um infarto é maior naqueles que tiveram uma crise de gota recente (até 60 dias).
Doenças inflamatórias crônicas como artrite reumatóide e Lupus eritematoso sistêmico; síndrome de Sjögren; espondiloartrite (artrite da coluna vertebral).
Doença intestinal inflamatória- Doença de Crohn ou colite ulcerativa.
Psoríase. O risco é maior nos com lesões de pele mais severas e nos com artrite psoriásica.
Focos de infecção dentária crônica podem provocar instabilidade de placas de gordura nas artérias, por uma reação inflamatória a princípio local, mas com reflexos sistêmicos.
Infecções virais sistêmicas, como a influenza, podem precipitar quadros coronários agudos, instabilizando placas de gordura que até então estavam estáveis. Daí a importância da vacinação anual. Pode-se afirmar com certeza que a vacina contra gripe previne infartos.
Fatores específicos de mulheres e da infância:
Diabete gestacional
Pré-eclâmpsia; doença hipertensiva da gravidez. Mães que tiveram um parto com pré-eclâmpsia devem fazer uma avaliação cardiológica dez anos depois, ou então na faixa de 30-39 anos, com foco especial na pressão arterial, além dos outros fatores de risco.
Ter tido um filho com baixo peso ao nascimento
Ter tido um filho de parto prematuro.
Menopausa precoce (antes de 40 anos) ocorrendo naturalmente ou cirurgicamente (remoção dos 2 ovários)
Infecção por HPV (papilomavírus humano) em especial em obesas.
Enxaqueca com aura.
Trauma psicológico grave na infância e adolescência: histórico de maior sobrecarga de adversidade psicossocial na infância
Transgêneros, podendo estar relacionado a angustia e depressão, além de hormonioterapia.
Fatores ambientais:
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Baixo status socioeconômico, limitadas oportunidades de estudo e trabalho
Poluição ambiental: aqui não há dúvidas que causa milhões de mortes cardiovasculares por ano no mundo. Poluentes em geral, e em especial metais tóxicos como chumbo, arsênio e cádmio, que já estão comprovados em aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Também a poluição sonora: ruídos intensos liberam os hormônios do stress (cortisol e adrenalina) com a consequente elevação da frequência cardíaca e da pressão arterial.
Plásticos: Isso mesmo. A ingestão de micropartículas ou nanopartículas de plástico aumenta e muito o risco cardiovascular. Ao serem absorvidas e entrarem na circulação, provocarão inflamação nas artérias. Uma recomendação especial é NÃO aquecer alimentos no micro-ondas em recipientes de plástico, pois ao fazê-lo minúsculas partículas desse material serão incorporadas ao alimento e ingeridas. Preferir vasilhames de cerâmica ou vidro.
Hábitos de vida e outros:
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Longas horas de trabalho estressante
Transtornos psiquiátricos severos (depressão e ansiedade graves, transtorno bipolar, esquizofrenia e outros).
O uso regular de marijuana aumenta em até 3,8 vezes a ocorrência de DAOP (doença arterial obstrutiva periférica) em especial nas pernas, numa população mais jovem (30 a 40 anos). Um grande estudo acompanhou por 8 anos um grupo de adultos abaixo de 50 anos de idade SEM os fatores de risco tradicionais, e que fumavam maconha regularmente. A conclusão? Houve um risco 6 vezes maior de infarto, 4 vezes maior de AVC e 2 vezes maior de insuficiência cardíaca, em relação aos que não usavam a droga.
Outras drogas como a cocaína provocam contração dos vasos e maior agregação plaquetária, e com isso maior risco de eventos cardiovasculares.
Pular o café da manhã! Taí uma moda que muitos usam e apregoam, mas que aumenta os riscos para a saúde não só cardiovascular, mas saúde global. Pode haver uma “supercompensação” ao longo do dia, comendo-se de forma excessiva e desorganizada; diferente do jejum intermitente, onde existe um controle alimentar consciente durante e depois. Essa bagunça alimentar, comendo-se “nada ou muito” aumenta o risco de síndrome metabólica e seus componentes, como obesidade abdominal, dislipidemia, disglicemia e aumento da pressão arterial.
Consumo prolongado e em quantidades excessivas de refrigerantes tanto os adoçados com açúcar como os adoçados artificialmente.
Doença renal crônica.
Câncer. Um histórico de já ter tido câncer é considerado um fator de risco independente, tão importante quanto diabete, por exemplo. Naqueles que se enquadram neste quesito, os fatores de risco modificáveis devem ser controlados na maior intensidade possível, como uma forma de compensação.
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Em resumo:
Muitos desses achados necessitam estudos mais amplos para se avaliar o seu peso real no risco global do paciente.
Alguns já tem um bom embasamento, como poluentes, outros são achados de correlação de dados estatísticos, ou mesmo simulações de computador.
Vários destes são situações de maior estado inflamatório sistêmico, e a inflamação das placas de gordura nas artérias já foi demonstrada como um fator precipitante de infartos.
Outros podem levar a desarranjos metabólicos, inclusive hiperglicemia. Ainda outros podem se relacionar com excesso ou falta de hormônios.
Até que esses “novos vilões” sejam melhor estudados e sua real importância pesada na “balança de risco”, dessa lista aí já podemos fazer alguma coisa. Se for identificado um desses novos fatores e a pessoa já tiver um dos 7 vilões clássicos, ela deve controlar esses últimos da melhor maneira possível.
E fazer outras intervenções saudáveis, como por exemplo fugir ao máximo da poluição, não usar drogas, intercalar horas de trabalho com alguns momentos de relax, diminuir bastante o consumo de refrigerantes em geral e evitar pular o café da manhã .
Um artigo da prestigiosa Cleveland Clinic defende que ajudar os outros, além de beneficiá-los, estimula positivamente nossos corações e mentes.
Então aquele calorzinho que sentimos no peito ao doarmos algo ao nosso próximo é benéfico pra nós mesmos! Sim, tem ciência nisso! Quando doamos algo, seja um presente, nosso tempo e atenção, ou qualquer outra forma de ajuda, nosso organismo secreta os “hormônios do bem”.
Serotonina, que dá um “up” no humor.
Dopamina, que dá uma sensação de prazer.
Ocitocina, que cria um senso de conexão com os outros.
Na fisiologia, isso significa:
Redução da pressão alta.
Aumento geral da sobrevida
Redução dos níveis de cortisol, o hormônio do stress.
Aumento da auto-estima e redução da depressão, através do estímulo do circuito mesolímbico, que é a via de recompensa do cérebro, e da liberação de endorfinas
E doação não significa necessariamente bens ou dinheiro. . Aliás, nesses casos nem sempre sentimos ou vemos o resultado imediato da nossa doação. Alguns dos melhores presentes podem ter custo zero. Ao dedicarmos algum tempo ou habilidade para alguém, de forma espontânea e prazerosa, sentimos logo os benefícios dessa ação. Aquela história de “ajudar a velhinha a atravessar a rua” é um exemplo simples e objetivo .
Os dois lados percebem de imediato o benefício da gentileza, e se sentem mais engajados e felizes.
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Todos temos alguma habilidade que outros não tem. Se ensinamos ou repassamos essa habilidade, ou a usamos pra beneficiar alguém, será um benefício ao mesmo tempo prazeroso e barato. E de um significado e lembrança maiores do que qualquer coisa que se acha numa prateleira de loja. Servir pode ser melhor do que simplesmente doar.
Um estudo feito com adolescentes mostrou claramente a ligação entre serviço ao próximo e menos depressão. As atitudes chamadas “pró-sociais” estimulam melhores relacionamentos com amigos e familiares, e desperta valores como esperança, persistência, gratidão e auto-estima. E tudo isso contribui para diminuir os níveis de depressão. Para os jovens isso é especialmente importante, pois protege contra sentimentos de inutilidade, gera um senso de propósito e estabelece um auto-conceito que os faz se sentirem valiosos e necessários para outras pessoas. E reduz o risco de envolvimento com jovens de comportamento problemático .
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