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Atividade física e coração. Rebatendo as críticas. O homem, a lebre e a tartaruga.

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Veja o vídeo no YouTube https://youtu.be/Uo0WsEAyqTc

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Como defensor  da atividade física moderada e regular como parte de uma vida saudável, volta e meia tenho sido abordado por críticos opositores do exercício e favoráveis ao total sedentarismo com o seguinte argumento:

“ A tartaruga vive muito e não faz exercícios, a lebre tá sempre correndo e vive poucos anos” 

Ora, a informação genética que consta no DNA da tartaruga e da lebre não muda, nunca mudou. E cada uma tem a seguinte mensagem: viva deste ou daquele jeito. Este “estilo de vida” sempre foi o mesmo, e tem sido assim desde há milênios. Talvez uma necessidade  de sobrevivência em parte possa explicar ( por exemplo: a lebre tem que fugir do predador, a tartaruga? basta se encolher dentro do casco.)

Nenhum dos dois casos podem ser comparados ao homem, que apesar de também ter uma carga genética no DNA imutável também há milênios, teve seus hábitos radicalmente mudados na era moderna, há cerca de um século apenas. É claro que o homem não precisa correr como a lebre nem ser lerdo como a tartaruga, mas provavelmente está em algum ponto entre os dois. Ou seja algum grau de atividade física, ou trabalho braçal faz parte do seu “script” genético que determina qual o melhor estilo de vida, e este estilo foi radicalmente mudado de uns 100 anos pra cá, desde a invenção do automóvel e outras máquinas em geral. Ou seja, um estilo de vida de milênios mudou bruscamente em pouco tempo, e o DNA não mudou nada.

“ Com o suor do teu rosto comerás o teu pão”… lembram? (Gênesis 3:19). Desde aquela época e até a revolução industrial. Hoje não precisa mais puxar arado, mas um mínimo de exercício como uma caminhada de 30 a 60 minutos de 3 a 5 vezes por semana preenche essa lacuna, melhora muito a saúde como um todo, e é respaldada por todas as instituições  da área de cardiologia e medicina do esporte do mundo.

Na época de caçador/coletor, o ser humano tinha que, ou viver correndo atrás do almoço, ou fugir correndo das bestas feras para ele mesmo não se tornar  o almoço. 

Então, houve uma mudança radical nos hábitos de vida dos humanos, apesar do código genético permanecer com a mesma e milenar  mensagem: algum grau de atividade física faz parte da vida.

E não é só em humanos: já repararam alguns cães e gatos de apartamento, tão ou mais obesos que os donos? Estilo de vida sedentário, comendo ração  e mais um monte de guloseimas, etc e tal. A genética deles não foi programada pra isso.

Outro argumento dos anti-exercícios:

“Minha avó tem 90 anos e nunca foi numa academia”

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Perguntei: Ok, mas quando era jovem  havia máquina de lavar roupa? Não, era o tanque mesmo, bater e torcer na mão. Frango? Não era o congelado, tinham que ir pro quintal correr atrás do frango, depená-lo, etc. Sacolão não tinha. Era uma hortinha e um pomar cuidados, adubados com esterco e capinados com muito zelo. E ainda o jardim da frente da casa, com suas rosas, flores de cera, manacás, camélias e outras típicas de casas de avós, que regavam e até conversavam com elas. Sem falar que subia a ladeira toda manhã pra ir à missa, e ainda de quebra acompanhava as procissões. Ora, qual é a conclusão óbvia? A sua avó nunca precisou de academia; nós sim!

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Distúrbio do Pânico

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Veja o vídeo no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=jur3_eUxYfM

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O distúrbio (ou transtorno, ou síndrome) do pânico será aqui citado, pois é uma condição muito comum, pode simular problemas cardíacos sérios e levar a exames caros e desnecessários, além de visitas frequentes a prontos-socorros.

“O coração fica “afrito”
Bate uma, a outra “fáia”…”
da música Cuitelinho, Folclore popular.

É constituído por crises súbitas de pânico ou pavor, que podem não ter causa aparente (até mesmo durante o sono), ou podem ser precipitadas por situações como estar em um supermercado lotado ou andar de elevador.

A pessoa acometida pode ter, subitamente, alguns ou todos os seguintes sintomas:

  • Palpitações, dores no peito, tontura, náusea;

  • Sufocamento ou dificuldade para respirar;

  • Respiração rápida e profunda (hiperventilação), que frequentemente inicia ou “dispara” as crises;

  • Formigamento nas mãos;

  • Ondas de calor ou calafrios;

  • Sensação de “estar fora” da realidade, ou “sonhando”;

  • Medo de morrer ou de ficar louco;

  • Sensação de morte ou destruição iminente.

O principal grupo acometido é o de adolescentes ou adultos jovens, e é comum

que tenham passado recentemente (ou que estejam passando) por situações estressantes.

O stress intenso ou freqüente torna certas pessoas “sensibilizadas”.

Então, suas “respostas de alarme”(que são os mecanismos físicos e mentais com que se reage a uma ameaça), passam a disparar aos mínimos estímulos, ou mesmo sem estímulo aparente (“alarme falso”).

As crises não duram mais que uns poucos minutos, que parecem uma eternidade para a pessoa acometida. Por mais terríveis que possam parecer, elas vão embora sem deixar sequelas, e sem qualquer ameaça à saúde, além de um tremendo mal estar.

Assim, mesmo com todo o desconforto  e sofrimento envolvidos, não há risco de vida. Mas o paciente pode ficar muito limitado, com medo de dirigir, fazer compras, ir ao trabalho, etc.

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O distúrbio do pânico não é “fruto da imaginação”, mas uma condição real,

com sensações psíquicas e físicas intensas, mas perfeitamente tratável.

Apesar da situação incômoda e alarmante, o tratamento é geralmente simples,

com medicamentos e às vezes psicoterapia. Pode haver depressão associada,

que necessitará abordagem específica.

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Reações adversas a medicamentos

 

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Existem as reações adversas, ou efeitos colaterais, e as alergias.

Boa parte das reações adversas a remédios vem da “mistura” ou interação de um novo remédio iniciado com outros já em uso. Por isto, nunca deixe de dizer ao seu médico todos os medicamentos que você toma.

“…ora, sempre e em toda parte se preferem os remédios simples

aos compostos, porque nos simples não se pode errar,

e nos compostos sim…”

Do médico a Sancho Pança.

Em Don Quixote de la Mancha,

de Miguel de Cervantes Saavedra.

Nas bulas costumam constar os efeitos colaterais; se achar que esse é o seu caso, NUNCA suspenda o remédio sem antes falar com seu médico. Se concluírem que é realmente o caso, será feita a substituição. Aproveite a oportunidade e anote o nome em lugar seguro, ou tire uma foto da caixa, para que você apresente a todo médico que for consultar, independente da especialidade, pois a reação pode ser de uma droga específica ou de toda uma classe de medicamentos.

Reações de pele, como vermelhidão, coceira e descamação, que duram dias ou semanas, podem fazer suspeitar de alergia a medicamentos de uso a curto prazo, mas também nos de uso prolongado. O fato de se usar um remédio há anos não impede que um dia surjam reações alérgicas ao mesmo.

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Gota – Ácido Úrico Elevado

Veja o vídeo no YouTube: https://youtu.be/PQhCPXhuttI

 

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Discute-se se o ácido úrico elevado (hiperuricemia), por si só, é um fator de risco em separado, independente de outros fatores de risco para problemas cardíacos. Mas de qualquer modo, é uma condição que merece atenção, por estar frequentemente associada a outros fatores, como hipertensão e obesidade, e também por ser um achado comum naqueles portadores de problemas das coronárias.      Por estes motivos, este assunto merece os comentários que serão feitos a seguir.

Caso você já tenha tido (ou venha a ter) sintomas semelhantes aos aqui descritos, comunique ao seu médico.

Ácido úrico existe normalmente no organismo, sendo produto final do metabolismo de certas substâncias, as purinas. As crises de gota podem ocorrer em pessoas que, por problemas metabólicos, geralmente genéticos ou familiares, ou por algumas condições, incluindo uso de certos medicamentos (ex.: diuréticos), têm o ácido úrico elevado acima da faixa normal. Pessoas predispostas também podem ter crises após excessos alimentares grosseiros (ex.: após uma feijoada), excessos alcoólicos, e por aumento do peso corpóreo. Elevação do ácido úrico também pode permanecer “silenciosa” não provocando qualquer sintoma.

A crise aguda de gota é característica: dor intensa, de início mais ou menos súbito ,“da noite para o dia”, (a crise típica surge de madrugada),  espontânea ou precipitada por trauma local, em uma ou mais articulações (principalmente o “dedão do pé”, cotovelos ou joelhos).

A articulação, ou junta, fica inchada, e a pele no local fica vermelha e quente.

Às vezes uma pequena pancada gerando mais tarde uma grande dor na junta pode ser uma “dica” de crise. Também podem ocorrer cálculos renais e, em alguns casos, insuficiência renal.

Descamações e pequenas bolhas nas mãos e pés, popularmente atribuídas a “ácido úrico”, geralmente são devidas a problemas locais de pele, como desidrose palmo-plantar e dermatoses descamativas, nada tendo a ver com a gota.

Se você tem histórico pessoal de gota:

  • Evite exageros alimentares e mantenha o peso na faixa normal. Uma crise de gota típica costuma ser precipitada após uma churrascada ou uma feijoada.

  • Reduza (se fizer uso), o consumo de bebidas alcoólicas, principalmente fermentadas (vinho e cerveja).

  • Evite miúdos como fígado, moelas, miolos, rins, coração e língua, e certos peixes como arenque, sardinha, enchova, salmão, truta e bacalhau, e também mariscos. Os outros tipos de peixes não citados poderão ser consumidos com moderação.

  • Para evitar precipitação de cristais de urato na urina, com risco de cálculo renal, tome sempre bastante líquidos. Uma sugestão é procurar hidratar-se de modo a manter a urina cor de água ou amarelo-palha.

Se você tem histórico familiar de gota, comunique o fato ao seu médico.

Pode também ser necessário substituir certos medicamentos que possam estar elevando o ácido úrico. Quando ocorrem crises freqüentes de gota, ou mesmo sem as crises, quando o ácido úrico estiver persistentemente nos “dois dígitos”(10 ou acima de 10 mg/dl), são prescritos medicamentos de uso continuado para reduzi-lo para 6 mg/dl ou menos (alopurinol e outros).

Alguns remédios usados em cardiologia podem aumentar o ácido úrico, como já foi dito com relação aos diuréticos. Por outro lado, alguns podem ajudar a baixá-lo.

Isto constitui um “efeito colateral” favorável. São eles a losartana (mas não outras “artanas”) os fibratos usados para baixar os triglicérides, como o fenofibrato, e a atorvastatina (mas não outras “estatinas”).

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Diet x light

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Alimento diet ou dietético é aquele com modificação de um componente específico, como por exemplo alimento adoçado com adoçante, ao invés de açúcar, para diabéticos. Um ou mais componentes são substituídos. Poderá ou não ter menos calorias, dependendo do adoçante utilizado (calórico ou não calórico). Assim, é melhor que um produto adoçado com sorbitol seja consumido pelo diabético magro (pois não contém açúcar), do que pelo que precisa emagrecer (pois este é um adoçante que contém calorias). Um chocolate adoçado com sorbitol terá quase o mesmo valor calórico que um chocolate comum.

Alimento light, é aquele que tem os mesmos componentes do produto normal, mas em menor concentração. É um produto “mais ralo”, e como tal, tem menos calorias, em relação à mesma quantidade do produto não light. É geralmente usado em dietas para emagrecimento. Ex.: maionese light. Mas essa redução no teor calórico pode não ser muito grande, e pode levar a um falso conceito de que pode ser consumido livremente em termos de quantidade. Se um sorvete light tem 35% a menos de calorias, e se uma pessoa ingere 2 bolas, estará ingerindo mais calorias do que uma bola de sorvete comum.

Na prática, os termos diet e light são usados indiscriminadamente e com certa superposição. Já existe legislação brasileira específica, mas até que surjam rótulos com informações mais claras, detalhadas e corretas, deve-se consumir estes produtos com parcimônia, pois dependendo da quantidade, não serão nem diet e nem light.

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Fibras alimentares

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A dieta ocidental perdeu muito do seu teor de fibras com o processo de industrialização de alimentos, com prejuízos evidentes para a saúde. Não há dúvidas de que devemos retornar (tanto adultos quanto crianças acima de 2 anos) aos alimentos com maior teor de fibras (para adultos, um mínimo de 25 gramas de fibras por dia). Os benefícios decorrentes se referem não só à saúde como um todo, mas também à área cardiológica.

Existem dois tipos de fibras alimentares:

  1. Hidrossolúveis: são principalmente a goma e a pectina, presentes em frutas como banana e maçã, e na polpa branca da laranja, e grãos como cevada, aveia, feijão, soja, lentilha e ervilha. Podem ajudar a reduzir o colesterol.

  2. Não-hidrossolúveis: celulose, hemicelulose e lignina, presentes no trigo e arroz integrais, vegetais folhosos, frutas com bagaço e farelo de trigo. Têm pouco ou nenhum efeito sobre o colesterol, mas melhoram o funcionamento intestinal.

Os benefícios de uma dieta rica em fibras incluem:

  • Melhor limpeza dos dentes, devido à mastigação extra requerida;

  • Controle de peso corpóreo, pela sensação de saciedade devido ao maior volume ingerido com menos calorias;

  • Menor incidência de câncer intestinal;

  • Menor incidência de cálculos biliares;

  • Melhora dos níveis sangüíneos de colesterol e triglicérides;

  • Regularização do funcionamento intestinal, facilitando a evacuação e reduzindo a incidência de divertículos e hemorróidas.

A constipação intestinal ou prisão de ventre, leva a um tremendo esforço de evacuação que pode ser indesejável em cardíacos, havendo risco até mesmo de quedas de pressão arterial, alterações no ritmo cardíaco e desmaios.

As fibras hidrossolúveis podem ajudar a reduzir o colesterol. Dentro de certos limites, cada grama de fibra solúvel ingerida reduziria o LDL-colesterol no sangue em 2mg/dl. O mecanismo é complexo, passando pela redução da absorção intestinal do colesterol alimentar e por alterações no metabolismo da flora bacteriana intestinal, que por sua vez produz substâncias que influem na síntese de colesterol pelo fígado.

Além das fontes alimentares citadas, as fibras hidrossolúveis, podem ser suplementadas na alimentação, (caso esta não as forneça em quantidade suficiente) através do farelo de aveia (Quaker Oat Bran® e similares).

Os poucos efeitos colaterais decorrentes da complementação da dieta com fibras são a formação excessiva de gases, e em alguns casos diarréia (que melhoram com a redução da quantidade ingerida, e que podem ser minimizados ao se introduzir as fibras na alimentação de forma lenta e gradual, ao longo de semanas, para que haja tempo de o aparelho digestivo se adaptar às mesmas).

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Ômega-3

Ômega-3, pílulas de óleo de peixe x peixe na alimentação

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Veja o vídeo no YouTube: ,https://youtu.be/n0_U3ebg_u4

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Estudos feitos em esquimós, com dieta quase que exclusiva de peixes(ex.: sardinha, salmão, enchova, truta, atum, arenque, bacalhau) mostraram que eles quase não têm problemas coronários.

Isto levou à utilização em vários países de cápsulas de óleos destes peixes. Eles são ricos em ácidos graxos insaturados do tipo ômega-3 (ácido eicosapentaenóico ou EPA e ácido docosahexaenóico ou DHA). Eles reduzem os triglicérides e diminuem a tendência à coagulação do sangue, tendo menor efeito sobre o colesterol. Também ajudam a reduzir um pouco a pressão arterial, o que pode ser útil para hipertensos.

O uso de cápsulas de óleo de peixe não tem sido no momento recomendado, como suplemento, à população em geral ( para prevenção primária, naqueles que nunca tiveram problemas coronários) mas apenas em casos específicos, a critério médico. Um exemplo seriam pessoas que já tiveram problemas coronários (prevenção secundária) e que poderiam se beneficiar ingerindo 900 mg de EPA e DHA por dia (correspondente a 3 cápsulas de 1 grama de óleo de peixe, cada uma contendo 300 mg destes ácidos).  Recentemente foi lançado um EPA purificado (cápsulas de 1 g de EPA puro) e que foi aprovado para uso em pacientes que já tiveram eventos cardiovasculares (portanto prevenção secundária) e que tomam estatinas para baixar o colesterol, mas que persistem com os triglicérides elevados. Consegue-se uma  redução aceitável dos triglicérides e também do risco cardiovascular. Mas teriam que ser tomadas 4 cápsulas de 1 g por dia (total 4 g) o que torna o preço ainda bem salgado. E essa dosagem aumenta discretamente o risco de arritmias atriais.

Outro ômega-3 é o ácido linolênico (ALA) presente em óleos vegetais como canola, soja e especialmente no linho, ou óleo de linhaça . Também em alimentos como nozes,  e grãos como chia e a própria linhaça. A exemplo dos ômega 3 de origem animal, não é usado para prevenção primária de problemas cardíacos na forma da substância purificada em cápsulas. Mas sim como parte de uma dieta saudável, a partir dos óleos e alimentos citados.

O uso de alimentos ricos em ômega-3 (como na dieta mediterrânea) é vantajoso e recomendado a toda a população. Os peixes que contém ômega-3 costumam ser caros (exceto a sardinha) e podem ser difíceis de se manter na rotina semanal.

Se acessíveis, atum e salmão são boas fontes. Existem as opções de alimentos (como o leite) previamente enriquecidos com ômega-3. Outras fontes são vegetais, como já foi dito: óleos de linho, canola e soja e grãos como chia e linhaça usados na alimentação.

Mesmo o uso de peixes que não são ricos em ômega-3 (como os peixes de água doce) é saudável pois contém baixa carga de gordura saturada.

Uma recomendação prática é a de se comer 100 gramas de carne de peixe duas vezes por semana.

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Alguns medicamentos comumente usados por conta própria

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Veja o Vídeo no YouTube: https://youtu.be/T4B6D6K9hxw

 

Medicamentos que comumente são usados por iniciativa própria do paciente, e que podem trazer problemas, se usados inadequadamente:

1. Antiinflamatórios

A lista é muito extensa, mas os mais comuns são o diclofenaco e seus assemelhados. Se tomados por conta própria por tempo prolongado podem aumentar a pressão arterial, provocar retenção de líquidos e edema, causar ou piorar disfunção renal e, pior, aumentar o risco da ocorrência de infartos.

Sem falar em gastrites e úlceras. Muitos os consideram analgésicos comuns, e nem revelam ao médico que os usam regularmente, o que cria uma situação de alto risco!!

2. Minoxidil, para tratamento da calvície

É um potente vasodilatador, e pode ter alguma ação (variável), sobre os vasos do organismo, apesar de aplicado localmente no couro cabeludo. Em princípio, pessoas hipertensas e as com problemas cardíacos, e em especial as que fazem uso de vasodilatadores, não devem usar o minoxidil  tomado via oral, ou aplicado localmente, por conta própria pois existe aí um maior risco de complicações cardiovasculares e interação com outros medicamentos.  Bebidas alcólicas também podem potenciar o efeito vasodilatador do minoxidil.

Só use o minoxidil com prescrição médica, em geral por um dermatologista, que costuma dependendo do caso pedir uma avaliação cardiológica prévia.

3. Aspirina®, AAS®, Melhoral® infantil, ácido acetil-salicílico

Muitas pessoas têm tomado por conta própria aspirina para prevenção de problemas cardíacos. Há os dois lados da moeda: realmente o AAS (ácido acetil-salicílico) é prescrito regularmente por cardiologistas, para pessoas que já têm certos problemas cardíacos identificados (incluídos os safenados, pós-infartados e os submetidos a angioplastia). Nestes casos, já foram demonstrados benefícios reais. Para os indivíduos sadios, que não têm qualquer evidência de doença cardíaca, a relação risco/benefício (e mesmo a dosagem ideal) não está estabelecida, apesar de a relação custo/benefício ser favorável devido ao baixo preço do produto.

Seu uso continuado pode ser indicado pelos médicos, para aquelas pessoas não cardíacas, mas com vários fatores de risco associados. Não se deve usá-la continuamente sem acompanhamento médico, e não se deve usá-la se há relato prévio de gastrite, úlcera, azia persistente ou esofagite de refluxo, bem como distúrbios hemorrágicos. Portanto, pessoas sadias e sem fatores de risco associados não deveriam no momento fazer uso prolongado de aspirina, até que surjam novas conclusões a respeito. Não tome aspirina nos 10 dias anteriores a qualquer cirurgia (incluindo pequenas cirurgias e extrações dentárias), porque ela prolonga o tempo de sangramento.

4. Diuréticos

Largamente usados em cardiologia, nunca devem ser tomados por conta própria. Há situações absurdas, como usar vários comprimidos por dia, para emagrecer! Os diuréticos, se fazem perder algum peso, é pela eliminação de líquidos, que serão repostos em pouco tempo. Mesmo as pessoas que os tomam sob receita médica não devem “sumir” do médico, pois é necessário de tempos em tempos dar uma “checada” na dosagem, e mesmo na real necessidade de se continuar o seu uso, além de exames de sangue para monitorar possíveis efeitos colaterais. Em dias de muito calor e sudorese excessiva, ou doenças intercorrentes, febre e  diarreia, pode ser necessária redução na dosagem. Discuta com seu médico se este é seu caso.

5. Esteróides anabólicos

Fuja deles! São usados por halterofilistas e atletas de musculação para aumento da massa muscular. A relação risco/benefício não compensa. Além de maior risco de câncer, podem induzir lesões no miocárdio, e também levar a aterosclerose acelerada e a infarto, e elevar a pressão. São considerados “dopping” pelo Comitê Olímpico Internacional.

6. Nitratos (Isordil, e similares)

É comum vermos pessoas trazendo no bolso ou valise, por iniciativa própria, e sem prescrição médica, um frasco de nitrato, como “preventivo”. O uso destes medicamentos só deve ser feito sob prescrição e rigoroso acompanhamento médico. São principalmente indicados a portadores de angina estabilizada, e também em casos de urgência. Não há qualquer sentido prático em pessoas não cardíacas andarem com um medicamento destes. Se você tiver uma forte dor no peito pela primeira vez, que durar mais do que uns poucos minutos, o melhor a fazer é procurar um médico ou hospital sem demora.

Mesmo os portadores de angina devem ter certos cuidados ao usar os nitratos. Sempre que usados debaixo da língua (para aliviar uma dor no peito moderada ou intensa), deve-se permanecer deitado ou sentado por uma hora após, pois pode haver queda acentuada de pressão, ou mesmo ocorrer um desmaio, se se ficar de pé. Nitratos têm prazos de validade curtos (máximo de dois anos).

Tais prazos na prática podem ser ainda menores, pois estas drogas perdem sua potência com o calor. Frascos sempre mantidos em bolsos, em contato com o calor do corpo, em bolsas expostas ao sol, ou dentro de veículos, devem ser trocados a cada  seis meses. Às vezes vemos pessoas que andam com o mesmo frasco por vários anos!

Não se pode, em nenhuma hipótese, associar nitratos com Viagra e outros medicamentos usados para disfunção erétil. É preciso um intervalo de tomada entre um e outro de pelo menos 24 horas, mesmo assim se liberado pelo médico.

7. Vasodilatadores orais para disfunção erétil

São usados para tratar a disfunção erétil, ou impotência sexual masculina (deve-se evitar tomá-los junto com doses além de discretas de bebidas alcoólicas, e também com refeições exageradas):  Sildenafil (Viagra), tadalafila (Cialis), e muitos outros similares ou genéricos a esses.

Podem reduzir em até 5 a 10 mmHg tanto a pressão arterial máxima como a mínima. Hipertensos e cardíacos devem checar os detalhes de uso com seu cardiologista, que fará o devido acompanhamento. Não pode ser usado junto com nitratos (intervalo mínimo de 24 horas) pelo risco de reações graves, como queda acentuada da pressão arterial.

“O farmacêutico faz misturas agradáveis,

compõe unguentos úteis à saúde…”

Eclesiástico 38:7.

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Bulas de medicamentos

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Se você tem o hábito de ler as bulas dos remédios, antes de tomá-los, saiba o seguinte: as bulas contém informações que podem ser úteis ao médico e ao paciente.

Os efeitos colaterais relatados poderão acontecer em alguns casos. Não vão necessariamente ocorrer com todos os usuários do medicamento. Para se ter uma ideia, alguns efeitos ocorrem, por exemplo, em 5% dos casos; outros, em 0,2%!!! Além disto, pessoas que se sugestionam facilmente podem “sentir” os efeitos relatados. 

As empresas fabricantes costumam colocar na bula todos os efeitos que foram relatados durante as pesquisas clínicas e também após o lançamento do remédio. Muitos desses efeitos podem não ter uma relação direta com o medicamento, mas são relatados como uma prática defensiva do laboratório, devido ao risco de processos judiciais.

Se você tem alguma dúvida com relação à bula do medicamento, troque ideias com seu médico, antes de interrompê-lo por conta própria.

É bom lembrar o ditado popular: ” Se você for seguir a bula ao pé da letra, não toma nem água benta”!

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Medicamentos de uso prolongado

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Em cardiologia, é comum serem prescritas medicações de uso prolongado. Mesmo que se tenha acesso a esses medicamentos sem a receita médica, uma nova consulta de controle deve ser feita pelo menos 2 vezes por ano.

Exemplo: Hipertensos devem ir ao médico pelo menos semestralmente, uma vez no verão (quando a pressão costuma ser mais baixa) e uma vez no inverno quando o contrário acontece (a pressão pode se elevar). Além disso outros fatores podem fazer a pressão subir (como ganho de peso, sedentarismo, alimentação com muito sal, uso de certos medicamentos) ou baixar, como perda de peso, atividade física regular e também uso de certos medicamentos. Alguns pacientes cardiológicos pegam uma receita e ficam anos repetindo os remédios sem retornar à consulta. Não é preciso pensar muito para se imaginar o risco que se corre…

Quando for comprá-los, (ou recebê-los no serviço público) confira de tempos em tempos a embalagem checando o nome comercial e o genérico, e a dosagem.

A indústria farmacêutica pode eventualmente fazer alguma alteração. Se notar qualquer mudança, inclusive no aspecto da embalagem ou do produto (ex.: aspecto do comprimido), leve ao seu médico para conferir. Podem haver também novas associações com outros remédios, e até mesmo mudança total no(s) componente(s) químico(s), e podem surgir novas informações sobre efeitos colaterais e contraindicações.

Alguns fabricantes às vezes mudam a apresentação ou a dosagem de certos remédios, ou lançam novas opções de dosagem, sem muito esclarecimento à população leiga.

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